Missão promove encontro de líderes uai-uais, macuxis e uapixanas

A MEVA promoveu nas últimas semanas dois grandes encontros para líderes das igrejas das etnias uai-uai (6 a 8), e macuxi e uapixana (12 a 15). Mais de trinta igrejas indígenas foram representadas nos ajuntamentos, realizados em um acampamento cedido pela Igreja Batista Regular de Boa Vista. “O objetivo da missão ao realizar estes encontros anualmente é edificar as comunidades, promover o intercâmbio e a comunhão para que os líderes compartilhem as dificuldades e busquem soluções, unidas, orando uns pelos outros”. Para alguns indígenas no noroeste do Pará e norte do Amazonas, a viagem até Boa Vista levou quatro dias de canoa, barco e ônibus.

Na década de 40, macuxis, uapixanas e uai-uais foram os primeiros grupos alcançados pelos missionários, que no fim dos anos 50 fundaram a MEVA. Hoje há dezenas de igrejas entre esses povos. Algumas recebem apoio direto da missão. Outras estão ligadas a igrejas de Boa Vista ou são autóctones. Além de ceder seu acampamento, a Igreja Batista Regular de Boa Vista – que mantém frentes de trabalho entre os povos do cerrado de Roraima e apóia obreiros indígenas e brancos na região – foi parceira da missão na organização do encontro macuxi e uapixana.

 

-> Clique e Leia sobre o Encontro de líderes Uai Uai

 


 

->Clique e leia sobre o Encontro Macuxi e Wapixana



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Os desafios das aldeias onde quase todos dizem ser cristãos

Sempre que um grupo de crentes uai-uais se reúne causa um impacto em quem os vê. Foi assim para missionários, pastores e visitantes que passaram pelo acampamento Elim durante o II Encontro de Lideranças das Igrejas Evangélicas Uai-uais há 10 dias. Cerca de 50 participantes, vindos de 17 aldeias de oito regiões, conduziam momentos de oração e louvor antes das palestras e das refeições. Em cada período livre, aproveitavam para cantar suas canções e estudar as lições, revelando a alegria e o amor a Deus de um povo que em quase sua totalidade professa a fé em Cristo. [+] Assista em vídeo à história dos uai-uais

Mesmo antes de o sol nascer, os uai-uais se reuniam para cantar e orar uns pelos outros. Chamou a atenção dos missionários a preocupação dos líderes de anotar cada estudo e preparar relatórios para suas comunidades, com o conteúdo do encontro. As aldeias uai-uais ficam muito distantes de Boa Vista, no sudeste de Roraima, norte do Amazonas e noroeste do Pará. São cerca de 3 mil indígenas da etnia no Brasil. O caminho para alguns foi bem longo. Os líderes da região de Mapuera, no Pará, foram de canoa da aldeia até Oriximiná, de barco de lá até Trombetas, onde pegaram um barco maior para Manaus. De Manaus para Boa Vista foram 12 horas de ônibus; quatro dias de viagem ao todo!

Permanecer nos caminhos do Senhor – A igreja uai-uai vive um momento crucial em sua história. Hoje os pastores e tuxauas (chefes) são filhos da geração que aceitou a Cristo nos anos 50 e 60 – alguns foram testemunhas oculares da mudança vivida pelo povo após a conversão. [+] Leia: ‘Um clamor pela nova geração’. A iminente transição de gerações, o nominalismo crescente devido ao cristianismo ser hoje a ‘religião oficial’ do povo, a vida da Igreja em meio a essa realidade e o potencial missionário do contato dos uai-uais com outras etnias nortearam a organização do encontro na escolha dos temas:

- A responsabilidade da igreja e dos pais no ensino dos jovens (Milton Camargo, presidente da MEVA);
- A importância da unidade da Igreja como Corpo de Cristo (Otoniel Berti, vice-presidente da MEVA);
- Os princípios da disciplina na Igreja (Pr. Calvino Camargo, membro da I Igreja Presbiteriana de Roraima);
- Os princípios para o ensino e discipulado (Carlos Champlin, missionário da MEVA entre os uai-uais);
- A importância da evangelização (Edson Silva, missionário da MEVA, coordenador do encontro)

As palestras aconteceram pela manhã e à tarde.  Nas duas primeiras noites foi exibido o filme Terra Selvagem (End of Spears), que conta a conversão de uma tribo no Equador, que custou a vida de cinco missionários. A história aconteceu na mesma época em que os missionários chegaram aos uai-uais.  Na terceira noite foi exibido o filme Hakani, sobre o infanticídio indígena no Brasil. O filme foi usado para tratar, entre outros temas, o aborto. O problema tem crescido e preocupa as lideranças e famílias uai-uais.

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Encontro de líderes macuxis e uapixanas

Cerca de 50 indígenas participaram da primeira edição do Encontro de Lideranças das Igrejas Evangélicas Macuxis e Uapixanas no último fim de semana. O encontro foi organizado em parceria com a Igreja Batista Regular de Boa Vista (IBRBV), que realizava na mesma data uma conferência missionária. Além das lideranças de aldeias onde a MEVA atua, muitos pastores e missionários indígenas apoiados pela IBRBV estavam presentes. Entre os pregadores, estavam o pastor da igreja, Pr. João José Silva e o preletor convidado para a conferência missionária.

O estudos, ministrados pela manhã e à tarde, trataram dos seguintes temas:

- Importância da contribuição na igreja (Pr. Hamilton Bossan – MEVA, missionário entre uapixanas);
- A importância da oração na família e na Igreja (Pr. Jonas Valente – II Igreja Presbiteriana de Boa Vista);
- A importância da família e os reflexos na Igreja (Pr. Nilton Antônio de Souza – Junta de Missões Nacionais da Convenção Batista Brasileira);
- A vida do líder (Pr. João José da Silva – Igreja Batista Regular de Boa Vista);
- Os princípios da disciplina na Igreja (Pr. Calvino Camargo, membro da I Igreja Presbiteriana de Roraima);

No último domingo, um coral de indígenas formado durante o Encontro participou do encerramento da conferência missionária na Igreja Batista Regular de Boa Vista.  Assista ao vídeo.

História - O ministério do pastor norte-americano Nilo Hawkins, fundador da MEVA, começou na década de 40 entre o povo macuxi na região do Contão e do Surumu. O trabalho na região foi assumido pela Missão Batista Regular, quando Nilo e seus irmãos partiram para a Guiana para realizar o primeiro contato com o povo uai-uai (1948). [+] Assista em vídeo à história da MEVA.

Nos anos 60, a MEVA retomou o ministério com os chamados povos do lavrado, que além dos macuxis, inclui os patamonas, ingaricós, taurepangs e uapixanas – habitantes de regiões de vegetação rasteira. Hoje há várias igrejas constituídas entre o povo macuxi – muitas iniciadas pela MEVA e assumidas por denominações; outras autônomas ou que ainda recebem apoio direto da missão. O Novo Testamento foi traduzido para a língua nativa, que hoje já é pouco falada.

Entre os uapixanas da região de Boa Vista há hoje quatro igrejas implantadas pela MEVA e uma congregação iniciada por pastores uapixanas. O trabalho com os ingaricós, retomado recentemente, está em fase inicial com a análise da língua e tradução da Bíblia.

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Clamor pela nova geração

Geraldo - líder Uai Uai

Geraldo é filho de Quirifacá – um dos primeiros uai-uais convertidos em 1949. Cresceu nos caminhos do Senhor e hoje é líder de sua aldeia às margens do rio Anauá, em Roraima. Além da liderança política, Geraldo é uma importante voz entre os crentes de sua etnia. Durante o encontro, Geraldo conversou com o missionário André Souza e narrou sua preocupação com o futuro do povo diante de novas tentações. Muitos jovens e adultos têm ido às cidades, participado de festas e bebedeiras, e levado parte dessa cultura para a aldeia. Recentemente, Geraldo descobriu que algumas pessoas estão comprando filmes pornográficos e promovendo sessões escondidas em suas casas.
Eu fico vendo os jovens hoje em dia… Os pais que não andam no caminho certo têm filhos que também começam a seguir o caminho errado.  Os pais que seguem o caminho certo, os filhos confiam neles e seguem o caminho que o pai lhes mostrou.

Eu encontro muitos jovens uai-uais que estão ouvindo músicas do mundo e vendo filmes que não são bons. Existem filmes evangélicos e é isso que eu quero que eles vejam. Minha preocupação é que os filhos estão comprando essas coisas na frente dos pais, com o seu consentimento. Parece que muitos uai-uais não querem mais seguir a Jesus.

A despedida - Quando meu pai estava doente, em 2005, eu viajei para o Amazonas para uma conferência evangélica. Eu estava retornando da viagem e meu pai sabia que os filhos estavam viajando, mas ele queria que todos chegassem onde ele estava o mais rápido possível, antes que ele morresse.

Mandou recado para eu acelerar a viagem para chegar a Anauá. Quando eu cheguei, ele conversou comigo para que eu confiasse em Deus até o fim da minha vida, como ele também viveu, como ele seguiu o caminho de Deus até o fim. Todos os filhos receberam esse conselho.

Ele falou que se um dia as pessoas viessem aqui, procurando saber se existe pajé e feitiçaria, era pra dizermos que não era coisa de Deus. Coisa de Deus é seguir, orar e viver pela fé. O Único Deus é o Deus que nós adoramos e confiamos. Quando ele terminou de falar essas coisas, ele começou a fechar os olhos. Eu chamei: ‘Pai, pai…’ Ele não respondeu mais. Peguei o pulso e ele não respondeu mais.

Família- Quirifacá e Geraldo, o filho mais velho

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E a turma da cozinha estava lá…

Entre os dias 5 a 9 e 12 a 15 de novembro tivemos o privilégio de receber nossos irmãos uai-uais, macuxis e uapixanas para mais um encontro em Boa Vista.Vindos de vários lugares para estudar a Bíblia, este momento promoveu comunhão entre eles e “entre nós”.

É claro que não podia faltar a turma da cozinha. Sob o comando da “Tia Tê” (mãe da missionária Patrícia) alguns missionários que atuam em outros ministérios dedicaram seu tempo para ajudar a fazer as refeições e limpeza, permitindo que nossos irmãos tivessem um tempo agradável e saboreassem uma comidinha deliciosa.

A equipe de missionários da MEVA está de parabéns! Sem vocês não seria possível a realização desse encontro que abençoa tantas pessoas. Deus os abençoe!

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Um indígena e dois missionários contam como foi a operação da PF em Parimi-ú e Haricato-ú

Jonas Palimitheli

Trecho da carta enviada à missionária Patrícia Rocha

Jonas

Jonas e Isaque

“Minha irmã Patrícia, quero te contar o seguinte:

Segunda-feira os soldados chegaram em Parimi-ú. Os mais velhos e as crianças fugiram para a mata. Mas eu não fugi!

Chegaram muitos homens armados e prontos para a guerra. Eu fiquei muito triste. Muitos de nós ianomâmis ficamos muito tristes. “Talvez eles não queiram permitir que os missionários fiquem aqui”, eles pensaram. Mas eu pensei diferente, pensei o seguinte: “Se todos os missionários forem embora de Parimi-ú, se ficar sem ninguém aqui, eu quero continuar segurando (crendo) a Palavra de Deus.

Quero continuar ensinando a Palavra de Deus. Quero continuar cantando para Deus. A Palavra de Deus nunca acabará! Por isso, eu continuo trabalhando para Deus. Deus já me deu seu sábio Espírito (Santo), por isso, eu não penso: “se acabarem os missionários, eu não quero mais cultuar a Deus”.

Minha irmã, eu não estou triste. Eu realmente quero continuar ensinando a Palavra de Deus. É assim que eu verdadeiramente penso. Deus já nos escolheu, a mim e ao Isaque, para ensinar a Sua palavra. Eu tenho ensinado aos domingos pela manhã, e o Isaque ensina à tarde. Minha irmã, por isso eu peço, ore por mim!

Acabou.

Eu, Jonas

Jonas é professor da Escola Estadual Indígena Palimitheli e um dos líderes da Igreja em Parimi-ú. Também é o autor de várias músicas de louvor cantadas pelos crentes da aldeia.

Wanderlei Pina

PinaEra mais um dia de desafio e o dever de fazer Cristo conhecido entre os indígenas ianomâmis em Haricato-ú. Eu estava naquele lugar, onde atua o missionário Curt Kirsch, para participar da clínica médico-odontológica que se iniciaria no dia seguinte. Era um dia tranquilo em que até os ‘piuns’ (borrachudos) pareciam não querer sugar o nosso sangue. Tudo transcorria normalmente. Fui à escola onde o professor indígena pediu-me para participar das aulas em português, enquanto o Curt se dirigiu ao final da pista para serrar algumas tábuas para uma futura construção. Quando as aulas terminaram, fui ao encontro do Curt.

De repente, ouvimos o som de um helicóptero. Logo a seguir, vários soldados saltaram do veículo, antes deste tocar o solo. Os soldados ficaram em posição de tiro ─ o alvo eram nossas cabeças! Os indígenas correram com medo. Muitos estavam apavorados diante do tamanho do helicóptero e dos homens “armados até os dentes”. Era uma cena que eu tinha visto em filmes, mas nunca pensei que estaria vivendo aquela situação. Parecia uma missão de guerra, devido ao forte armamento.

Fiquei receoso de estar na linha de tiro, e falei para o Curt: “Será que vão atirar em nós?” Ao mesmo tempo, disse: “Se for, não tem problema, estaremos com Cristo.”

Logo surgiram muitos soldados do Exército e homens da Polícia Federal, todos armados. Perguntaram quem éramos e o que fazíamos ali. Alguns policiais federais filmavam e outros fotografavam. Em seguida, o delegado da Polícia Federal abriu um envelope onde estava um mandado de busca e apreensão. O Curt perguntou como poderia ajudá-los, mas eles queriam revistar todas as dependências. Estavam atrás de armas, munições e minérios. Então revistaram as casas. Não achando nada, questionaram-me: “Onde está o minério?” Eu só respondi: “Tenho o direito de resposta?”, mas eles se calaram.

Conversando com um dos militares, eu disse que tínhamos algo muito mais precioso do que minério, por isso estávamos ali. Ele me perguntou: “O quê?” Eu respondi: “São as vidas dos indígenas ianomâmis.” Ele não entendeu e prosseguiu nas buscas.

Depois de passado tudo isso, Curt e eu choramos e louvamos a Deus por todo o ocorrido. Deus tem um propósito para aquele povo, e suas vidas são mais importantes do que ouro ou qualquer tipo de minério.

Jesus pagou um alto preço pelo povo ianomâmi e por todos nós. E esse sacrifício é inestimável. Pena que as autoridades e aquele grupo que nos abordou em plena Selva Amazônica não entendam o motivo de estarmos ali. De qualquer modo, louvado seja Deus.

Wanderlei é casado com Solange. Ele coordena na cidade o apoio logístico aos missionários nos campos avançados e participa de clínicas de saúde como microscopista. Solange coordena a área de saúde da missão. O casal trabalhou por 26 anos entre as etnias Galibi (AP), Baniuá (AM) e Marubos (AM), com a Missão Novas Tribos do Brasil.

André Marques

viagem à Halikatu-U outubro 07 083Estávamos na aldeia de Parimi-ú quando, de repente, ouvimos o barulho de um helicóptero. Realmente não é comum recebermos esse tipo de visitante. Geralmente recebemos visitas de pequenos aviões, mas neste dia percebemos que algo estava muito diferente. Para nossa surpresa, surgiu por entre as árvores um enorme helicóptero do Exército Brasileiro. Assim que as mulheres e as crianças da aldeia notaram a presença de soldados, fugiram para a mata fechada.

O helicóptero pousou numa parte descampada da aldeia e logo os homens e rapazes da aldeia, juntamente com os missionários, se reuniram e ficaram observando de longe o que estava acontecendo. Os soldados começaram a descer do helicóptero, todos muito armados, em posição de tiro e foram-se espalhando pela aldeia, procurando posições estratégicas. Desceram do enorme helicóptero cerca de 25 pessoas.

Então fui ao encontro deles para me informar sobre o que estava acontecendo. Eu estava bem apreensivo, pois parecia um batalhão de guerra. Apresentei-me como missionário e recebi ordens para dizer aos índígenas que não reagissem, nem fugissem, pois o exército estava ali para fazer a segurança da Polícia Federal. Mandaram que todos se assentassem no chão embaixo de uma mangueira.

Logo em seguida, chegou o delegado da PF acompanhado de vários agentes. Ele pediu a minha identificação e me mostrou o mandado de busca e apreensão nas casas dos missionários, emitido por um juiz federal. Então começaram a ir de casa em casa revistando tudo: gavetas, arquivos, camas, mochilas, malas, caixas, etc. Passaram aproximadamente duas horas revirando tudo e fazendo muitas perguntas. Parece que estavam em busca de ouro ou algum material de garimpo, mas não encontraram nada. E nem vão, porque não temos nenhuma relação com garimpeiros ou garimpagem. Esta não foi a primeira vez que isto aconteceu. Paira sempre uma desconfiança sobre o nosso trabalho. Eles simplesmente não conseguem entender.

Depois que o helicóptero decolou, os parimitheris rapidamente se reuniram. Eles estavam furiosos, pois se sentiram humilhados por não serem consultados pelo pessoal da PF e do Exército. “Fomos tratados como pessoas ruins dentro de nossa própria casa!” ─ todos falavam ao mesmo tempo.

Em tudo isto, uma coisa nos edificou muito: foi o testemunho dos indígenas crentes que nos chamaram e disseram o seguinte: “Não pensem que a Palavra de Deus vai acabar com a saída de vocês. Nós já somos crentes e vamos continuar a pregação da Palavra para o nosso povo. A igreja não vai morrer.”

André e Itamara Marques são missionários da MEVA desde 1993. Atuaram por 10 anos em Parimi-ú e hoje dão apoio ao posto da MEVA em Haricato-ú, na mesma região.

8 comments 27/10/2009

Boas notícias para Nayane!

familia taetsNa última edição da ‘Entre Nós’ compartilhamos sobre o caso de Nayane Taets. Pedimos suas orações para que o Senhor mostrasse o que ela tinha e que acalmasse o coração de seus pais. Com certeza Deus ouviu nossas orações!

Os pais da Nayane estavam pensando em viajar para Goiânia para ali buscar assistência médica mais especializada. No entanto, semana passada tivemos a oportunidade de receber a visita do cirurgião pediatra Moacir Magalhães que passou um tempo em Haricato-ú e uma semana em Boa Vista. Ele examinou a Nayane e, ao ver seus exames de sangue, diagnosticou a doença como sendo mononucleose infecciosa.

Trata-se de uma bactéria que causa nódulos na região cervical. Afirmou que os mesmos desaparecerão lentamente e não será necessário fazer biópsia.Orientou-os ainda a fazer um ultrassom para verificar se os nódulos diminuíram. Ela já está tomando antibióticos e seus pais estão aliviados por não ser nada grave.

Quanto à bartonella, o exame não ficou pronto, pois é feito nos Estados Unidos. O Dr. Moacir também levou uma amostra do sangue de Nayane para São Paulo a fim de fazer exames mais aprofundados e eliminar qualquer dúvida.

Nara e Elias agradecem as orações e as palavras de conforto enviadas por muitas pessoas. Pedem que continuem a orar tanto pela recuperação da Nayane quanto pelo resultado dos exames feitos em São Paulo.

1 comment 27/10/2009

MEVA apresenta ao Governo de Roraima Projeto Político Pedagógico da escola de Parimi-ú

O departamento de educação da MEVA concluiu esta semana a reformulação do Projeto Político Pedagógico da Escola Estadual Indígena Palimitheli. O documento segue amanhã (dia 29) para a aldeia para ser aprovado pelo professor indígena responsável pela escola. A assinatura é o último passo para a apresentação à Secretaria de Educação, que, após análise, autorizará sua execução.

NVE00001O trabalho da MEVA na área de educação nas aldeias é desenvolvido em parceria com a Secretaria de Educação do Estado de Roraima. As escolas precisam obedecer às leis e requisitos para serem legalmente reconhecidas e apoiadas pelo governo. Para que isso aconteça, é necessário planejamento e execução de projetos que geralmente dão muito trabalho. As missionárias Graziela Camargo e Sandra Campos são pedagogas e coordenam o departamento educacional da Missão. Elas dão suporte às escolas da mata, possibilitando que a equipe missionária no campo possa atuar de maneira mais efetiva, sem que precise gastar seu tempo ou até sair da aldeia para resolver questões burocráticas na cidade.

O Projeto Político Pedagógico (PPP) da Escola Indígena Palimitheli (povo ianomâmi) foi construído juntamente com a comunidade, dentro da legislação de educação do país.  O PPP é um planejamento de trabalho participativo que engloba todo o funcionamento da escola, sua metodologia, currículo, funções e toda a sua filosofia educacional.

As escolas indígenas têm muitas diferenças em relação a uma escola comum. Elas têm um currículo diferenciado que procura respeitar as diferenças culturais de cada povo.  Por exemplo: O povo ianomâmi não tem o costume de ficar muito tempo concentrado dentro de uma sala. As crianças já ajudam os pais, os meninos na roça e caça e as meninas cuidam de seus irmãos menores. Uma grade curricular específica foi adaptada para essa realidade para não atrapalhar o dia-a-dia da comunidade. Eles terão somente duas horas de aula por dia e, ao contrário de uma escola comum, o ano letivo será realizado durante dois anos civis. Essa foi uma das mudanças mais significativas que o PPP abordou, que esperamos implementar em breve para que o povo possa aprender de forma mais eficaz e diminuir o índice de desistência.

1 comment 27/10/2009

Porco selvagem interrompe aula do MICALI

Tim MicaliO Ministério de Capacitação de Líderes (MICALI) realizou o segundo módulo do curso direcionado a pastores e líderes da comunidade de Anauá, aldeia uai-uai no sudeste do Estado de Roraima. A disciplina “Vida de Cristo 2” se concentrou na semana da Páscoa, quando Jesus foi julgado, crucificado e ressuscitou. A grande comissão e a ascensão encerraram o módulo, iniciado na multiplicação dos pães e peixes.

O povo demonstrou grande interesse nas aulas, expondo dúvidas e opiniões sobre este tema central para a fé dos uai-uai e de todos os cristãos. Os professores, André Souza e Timóteo Camargo, usaram o filme ‘Paixão de Cristo’ para ilustrar o sofrimento e a dramaticidade dos últimos momentos de Cristo antes de sua morte e ressurreição.  A resposta do povo foi tão positiva que o líder da comunidade pediu que o filme fosse exibido novamente no culto de domingo (dia 18).

Um momento curioso – insólito pra quem vive em grandes cidades, mas corriqueiro para o povo em Anauá – interrompeu as aulas no terceiro dia do curso. Um cateto (ou porco-do-mato brasileiro) atravessou o rio e cruzava a aldeia quando foi acuado por cachorros. O animal saiu em disparada e bateu com força na lateral do malocão onde aconteciam as aulas. Os alunos se levantaram. Bastou o primeiro sair, pra vários o acompanharem na caça do bicho. Enquanto os professores e os alunos que permaneceram na casa riam, os outros seguiram o porco, que foi morto alguns minutos depois e dividido na comunidade na mesma tarde.

CatetoNão foi a primeira vez que porcos interromperam aulas do MICALI. Em Parimi-ú, uma vara de queixadas, espécie que anda em grandes bandos, passou nas proximidades da aldeia. O professor, Daniel Teeter, ao perceber a situação, liberou temporariamente os alunos-caçadores, que ajudaram outros a matar um grande número de animais e garantir mesa farta pra aldeia nos próximos dias.

O MICALI se propõe a levar o ensino às comunidades exatamente para estar inserido no dia-a-dia dos povos. Além de um grande esforço para apresentar estudos de maneira compreensível e contextualizada em cada cultura, o MICALI requer sensibilidade de seus professores para fatos como este. Compreender a cultura do indígena inclui saber que uma refeição saborosa não tem hora para cruzar a aldeia; e provavelmente não vai voltar caso não seja abatida rapidamente!

Clique e  saiba como acontece essa viagem para Anauá – assista ao vídeo

1 comment 27/10/2009

Equipe da Igreja Batista de Campo Belo – parceira da Missão há dez anos – visita o campo em Roraima

Por Izilda Berti

A IGREJA

Esta igreja já nasceu com uma visão missionária despertada pelo seu pastor na época, Abelardo Nogueira e sua esposa Sônia, auxiliando diferentes trabalhos ligados a missões urbanas. Seus filhos Lígia, Mauro e Daniel sempre estiveram ligados ao ministério de seus pais, e também se prepararam em bons seminários para servir ao Senhor com fidelidade, fruto do forte testemunho que tinham em casa.  Os três já são casados e Abelardo e Sônia desfrutam da maravilhosa bênção da multiplicação, com a casa cheia da alegria e vivacidade de seus netos.

Hoje, apesar de pequena, é uma igreja firmada nos alicerces da Palavra de Deus e conta com a administração de Daniel Nogueira e sua esposa, Cristina, que foram alunos do Seminário Bíblico Palavra da Vida. Eles têm uma filha chamada Isabela de 1ano e meio e aguardam a chegada de mais um bebê em breve. Daniel estudou teologia durante 5 anos e pastoreia a IBCB desde 2001.

A VIAGEM

Daniel esperava há tempos pela realização dessa viagem missionária, com a intenção de conhecer de perto o trabalho que sua igreja apóia através da parceria com o missionário Otoniel Berti e sua família, e também realizar um desejo pessoal acalentado desde o seminário.

Ele trabalhou junto com sua equipe para levantar o dinheiro necessário para a viagem até Boa Vista, e custear os gastos com a hospedagem e viagens menores realizadas pelo interior do Estado, que aconteceram durante o mês de outubro de 2009.

Não foi fácil organizar os trabalhos da igreja para se ausentar durante 19 dias, sendo que os outros participantes da viagem missionária também deixaram seus empregos e familiares para viverem esse grande desafio. E valeu a pena!!!! Foi uma experiência marcante!

PIC_0190A equipe formada por Daniel Nogueira – pastor da IBCB; Júlio Souza – líder de missões da igreja –, pequeno empresário, casado com Ruth e pai de Yasmin (11) e Letícia (5); Antonio Moura –  integrante do ministério de evangelismo da igreja –, operador de trem desde 1981 (metrô), casado com Francisca e pai de Adriana (26) e Carlos Henrique (24) e avô de Larissa (8); e Henrique Matos – membro da igreja – piloto de aeronave, pai de Bruno.

UM ROTEIRO EMPOLGANTE

Após uma viagem cansativa de 10 horas, chegaram em Boa Vista no dia 30/09 – quarta-feira – cansados, mas com grandes expectativas

Dia 01/10 – Após um bom descanso, conheceram a cidade, o local onde a Meva mantém seus escritórios e alojamentos, a missão Asas de Socorro e seu hangar, e a Casa do Índio, onde são hospedados indígenas que deixam suas aldeias para tratamento de saúde. À noite, participaram da reunião de oração da MEVA, que acontece todas as quintas-feiras, onde são passadas as informações, conseguidas através de um contato de rádio, sobre todos os postos onde a Missão atua. Estranharam muito o calor!!!!

Dia 02/10 – Viajaram para Manoá – uma comunidade onde vivem indígenas macuxis, localizada cerca de duas horas e meia da cidade.

Dia 03/10 – Durante o dia viajaram para o país fronteiriço da Guiana, onde se divertiram e compraram presentinhos para as famílias. Daniel participou de uma reunião de jovens e adolescentes da Igreja Batista da Graça, desafiando-os com a vida de Elias.

Dia 04/10 – Participaram da Escola Bíblica em Taba Lascada onde Hamilton e Rose Bossan e a missionária Sandra Campos auxiliam uma igreja nova entre indígenas uapixanas.  Logo após o almoço, Henrique voltou para São Paulo para cumprir a sua agenda de trabalho em uma companhia aérea. No culto da noite marcaram presença na Igreja Batista da Graça novamente.

ALmoçoDia 05/10 – foi reservado para a organização da viagem para a  comunidade de Maracanã, localizada a aproximadamente 8 horas da cidade Foi um dia muito cansativo fazendo compras da comida (quando puderam comprovar o alto custo de vida da cidade) e também material para os trabalhos de manutenção que seriam feitos. Toda carga, incluindo portas e janelas de madeira, gasolina, comida e água foram acomodadas na Toyota usada pelo missionário Otoniel, antes de dormir. Trabalho exaustivo!

Dia 06/10 – Acordaram bem cedo para sair para a viagem antes de o sol ficar muito forte e desanimador! A saída foi acompanhada por Izilda, Marília e Marina (esposa e filhas de Otoniel), que se integraram à equipe de apoio, preparando deliciosas refeições e orando! A viagem prevista para 8, durou 11 horas. Otoniel havia esquecido as dobradiças das portas que seriam colocadas. Precisaram voltar depois de mais de 1 hora de viagem. Mais tarde o pneu furou! Viajaram o dia todo. Quando chegaram, já era a hora do jantar, e estavam na expectativa da noite em que dormiriam em redes! Durante aqueles dias, contaram com ajuda de Celestino que orientou todo o trabalho, e a família de José Amazonas e Ariadina que ajudou com as refeições.

PIC_0046Dia 07/10 – A atividade principal foi a colocação de portas e janelas na nova igreja. Daniel compartilhou na reunião realizada à noite.

Dia 08/10 – Portas e janelas e limpeza do local. Passearam durante a tarde para conhecer as proximidades da aldeia. Antonio compartilhou à noite na reunião, dando seu testemunho.

Dia 09/10 – Trabalhos e reunião à noite onde a Palavra foi ensinada por Júlio.

Dia 10/10 – Viagem de volta a Boa Vista.

CHOQUE CULTURAL

MucajaíDia 11/10 – Descanso pela manhã e cautela! Eles passaram a semana toda com um forte desarranjo intestinal. Fizeram algumas compras para a viagem que seria realizada à aldeia de Mucajaí – índígenas ianomâmis, onde visitariam o casal de missionários Josimar e Lena, e as missionárias Jacqueline, Rosa e Isabel. Após o almoço, foram levados ao aeroporto por Daniel Brown.  Elias Taets foi com eles nesse vôo para ajudar a cortar a grama da pista de pouso. Voaram sob os cuidados da missão Asas de Socorro, tendo Timóteo Johnsons como piloto. Foi um dos maiores choques culturais! Apesar da viagem emocionante, sobrevoando a Floresta Amazônica, sob um imenso céu azul, apreciando a paisagem sobre um vasto tapete verde de árvores, a chegada na aldeia é difícil descrever. O vôo de apenas uma hora os conduziu a outro mundo! O impacto foi grande com a diferença de língua e cultura. Chegaram no final do dia, quando um culto estava começando.  Júlio passou muito mal durante o vôo. Jacqueline ajudou fazendo a tradução da língua ninan, e cantaram corinhos também.  Daniel compartilhou sobre o amor de Deus manifestado na vida de Lázaro durante sua enfermidade.

Dia 12/10 – Após uma noite com as emoções à flor da pele, participaram de uma reunião onde Josimar fez a devocional. Passearam para conhecer o local e comprar artesanatos, enquanto Elias cortava a grama. Almoçaram um delicioso churrasco! O vôo de volta a Boa Vista foi às 15h.
Eles correram todos os dias no final da tarde, fizeram sauna, nadaram e tomaram deliciosos sucos de frutas regionais.  Em um desses passeios descobriram que haveria uma importante corrida em comemoração aos 25 anos da Base Aérea de Boa Vista. Como todos eles são atletas, e participam de corridas famosas, como a de São Silvestre em São Paulo, decidiram participar dessa também. Que fôlego!

Dia 13/10 – Passaram a manhã na cidade. Fizeram a inscrição para a corrida.

Dia 14/10 – Planejaram ir para a Venezuela, mas estavam muito cansados e ainda com a famosa “carreirinha”, que teimava em não ir embora. Treinaram para a corrida no trajeto determinado pelos programadores.

Dia 15/10 – Daniel foi o responsável pela palavra na reunião de oração da MEVA, onde compartilhou novamente sobre Lázaro, a pedido de Otoniel. Foram momentos de consolo e ânimo para muitos ali. Júlio e Antonio compartilharam sobre as viagens.

Dia 16/10 – Viajaram para a cidade de Santa Elena na Venezuela, que fica a 3 horas de Boa Vista. Foi muito divertido conhecer mais um país e comprar presentinhos.

Dia 17/10 – Finalmente, o dia da corrida chegou. Almoçaram um cardápio sugerido por Antonio e no começo da tarde foram buscar o “kit” da corrida, que aconteceria às 17h. Ficaram tão empolgados que convenceram até o missionário Elias a participar.

A CORRIDA

CorridaNa hora combinada, deixaram a casa e se dirigiram ao local da corrida. Otoniel e sua família, e Daniel Brown e sua família foram os torcedores que acompanharam os atletas. Foi emocionante ver os rostos dos nossos visitantes entre aproximadamente 300 corredores! Todos os que completaram a corrida receberam medalhas.

O mais emocionante foi quando Antonio foi classificado e recebeu a premiação da sua categoria! A comemoração foi feita em uma pizzaria.

Dia 18/10 – Arrumaram as malas, foram à Igreja Batista da Graça pela manhã e almoçaram correndo para pegar o avião de volta para São Paulo, onde as famílias os aguardavam com ansiedade.

Foi muito gostoso recebê-los aqui, o que nos tornou mais próximos da igreja, com certeza! Sem dúvida, eles viveram dias intensos conhecendo o campo missionário sob os cuidados de  Deus, que os presenteou com a viagem e com Sua proteção em tudo!

Suas considerações sobre as experiências:

•   Disseram que o mais difícil foi a viagem a Maracanã;
•   Ficaram tocados com a simplicidade da igreja em Taba Lascada (embaixo de árvores);
•  O  mais emocionante foi o vôo com Asas de Socorro e a chegada na aldeia ianomâmi;
•  Perceber a diferença de vida entre povos indígenas onde há cristãos mais firmes.
•  Conhecer as dificuldades que surgem no trabalho de evangelização de povos isolados.

1 comment 27/10/2009

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"DEUS TINHA UM ÚNICO FILHO E FEZ DELE UM MISSIONÁRIO." David Livingstone

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