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Equipe de educação participa de grupo que definirá futuro da educação dos grupos yanomami do Brasil
Nos dias 10 a 12 de novembro aconteceu em Boa Vista-RR o encontro da Comissão do Território Etnoeducacional Yanomami e Ye’kuana. Estiveram presentes representantes indígenas e representantes das organizações governamentais e não governamentais. O encontro teve como objetivo a discussão dos diagnósticos educacionais das terras indígenas yanomami e ye’kuana e o início da formulação dos planos de ação para a construção das novas diretrizes para a educação escolar desses povos.
Questões como sustentabilidade, construção de escolas, formação continuada de professores e currículo diferenciado foram discutidas entre os participantes. Outro assunto abordado foi o efetivo apoio do Governo de Roraima e do MEC no desenvolvimento de políticas públicas para a educação yanomami e ye’kuana.
A missão esteve presente, representada por Sandra Campos, Graziela Camargo, Jacqueline Santos, Maria Rosa Monte e André Souza. Fazemos parte da comissão que tem se reunido semanalmente para discutir e diagnosticar as principais necessidades da educação nessas aldeias em que temos trabalhado. O objetivo dessa participação é contribuir para a organização e melhoria da educação escolar entre esses povos. A qualificação profissional da equipe de missionários tem contribuído muito para isso. Hoje temos três pedagogas, duas professoras formadas em letras e uma pedagoga e cinco antropólogos em formação. A MEVA apóia quatro escolas yanomami e uma escola ye’kuana.
Merenda Escolar chega em tempo de escassez
Após longas conversas e tentativas mediadas pela equipe de educação da Missão Evangélica da Amazônia, a Escola Yanomami em PalimiU recebeu no mês de maio a merenda escolar, que é direito de todo aluno da rede estadual de ensino. Segundo a Secretaria de Educação, o estado recebe a verba para a merenda e ela está disponível para todas as escolas, porém as que ficam localizadas em área de vôo dificilmente são contempladas devido à dificuldade de acesso. O gasto com o transporte da merenda acaba ficando superior ao do próprio alimento.
Essa aldeia hoje passa por uma situação difícil. Devido à forte seca que durou mais tempo que o normal, o povo, que vive do plantio de suas roças de mandioca e milho, não tem conseguido êxito em suas plantações, vivendo um momento de fome. Esse fato tem prejudicado a escola, pois as famílias acabam migrando para outros lugares à procura de caça, pesca e outros alimentos. Segundo uma das missionárias que coordena a escola, está complicado cumprir a carga horária pois foi necessário o cancelamento de alguns dias de aula diante desses acontecimentos.
No entanto, a chegada da merenda veio em boa hora. Isso contribuiu para que as atividades da escola fossem normalizadas e os alunos pudessem voltar a ter aulas. Nossa preocupação é com a continuidade da entrega dessa merenda, pois infelizmente não há garantias de que isso aconteça.
“Eu também quero saber mais!”
por Sandra Campos
Quando descemos do avião na aldeia de Halikato-u, não imaginávamos o que estava reservado para nós. Claro! Não foi nada perigoso, mas não foi o que esperávamos. Particularmente achava que encontraria um povo distante e com muita dificuldade em freqüentar as aulas.
Marta Kirsch, Isabel de Oliveira e eu (Sandra Campos) estávamos ali para uma visita de doze dias com o objetivo de fazer uma avaliação pedagógica e orientação dos professores.
O trabalho na escola começou com os missionários André Marques e Curt Kirsch. Hoje, André é o responsável por esse ministério e pela atenção à saúde da comunidade. Antes da escola ser oficializada, ele e Curt davam as aulas, mas agora, o ianomâmi maithá Kasis e sua esposa Nair foram contratados para essa função. André ainda dá as aulas junto com os dois até que eles possam fazer isso sozinhos. Curt é o responsável pela manutenção do posto e também pela saúde. Os dois se revezam mensalmente.
Durante aqueles dias ajudamos os professores na organização das aulas, nas chamadas e ensinamos algumas coisas importantes para que eles pudessem dar continuidade ao trabalho. Levei seus contratos para serem assinados e conversamos bastante sobre a importância de cuidar bem da escola. Avaliamos cada aluno individualmente e observamos que, mesmo tendo tão pouco tempo de contato com a escrita, os alunos em geral têm se desenvolvido bem.
O interesse em aprender nos surpreendeu. Pela manhã observamos as crianças e os homens. E à tarde as mulheres chegavam com seus filhos pendurados nas costas com o auxílio de uma tipoia tecida em fio de algodão. Às vezes era impossível dar aula com tanta criança chorando ao mesmo tempo, mas se elas não desistiam nem se incomodavam, por que nós nos incomodaríamos? Um dia amanheceu chovendo e fomos para a escola achando que ninguém viria. Para nossa surpresa, as crianças chegaram e, mesmo com muito frio, participaram da aula com animação. A chuva apertou e Kasis nos disse que talvez os homens não viessem. Novamente, para nossa surpresa, uma fileira de pessoas com folhas de bananeira na cabeça chegou à escola para mais um dia de aula. À tarde, não foi diferente com as mulheres.
Demos algumas aulas para os professores e vimos sua alegria quando entendiam um conceito, uma operação numérica, a separação das sílabas, enfim, quando aprendiam. Kasis nos surpreendia a cada dia, exclamando: “Muito bom!” Quando começamos as aulas, tínhamos levado um pouco de material já preparado. Kasis ficou tão surpreso que nos disse: “Eu também quero aprender mais”. Ele tem o desejo de aprender sempre mais, seja na escola ou sobre Jesus. Foi escolhido por sua capacidade de liderança, mas academicamente ainda é como os seus alunos.
Aos domingos nos reunimos para o culto e vimos aproximadamente 80 pessoas sentadas nos banquinhos, louvando a Deus e atentos às histórias bíblicas que Curt preparava. Depois eles nos chamavam para fazer reunião. Ouvimos do interesse em ver a escola crescer e que eles entendiam como isso era importante. Mas o que mais nos chamou a atenção foi o desejo de conhecer mais de Jesus. Eles nos diziam: “Outros não querem ouvir. Jogaram Jesus fora, mas nós queremos. Nós queremos Jesus.”
Depois dessas reuniões, nos sentávamos ao redor da mesa e nos perguntávamos como isso seria possível? Não esperávamos encontrar um povo com tanto interesse em aprender não só a ler e escrever, mas também em conhecer a Deus. Isso foi maravilhoso! Não é comum encontrar tanto interesse entre o povo ianomâmi, mas ali foi diferente! Deus, com certeza, me ensinou algo que eu não esperava. Pensando assim, faço minhas as palavras do Kasis: “Eu também quero aprender mais.”
Educação Indígena – Contratação de professores
Por Graziela Camargo
No mês de março conquistamos uma importante vitória no setor de educação. Há muitos anos estamos trabalhando para que os professores ianomâmis sejam contratados pelo Governo de Roraima e recebam salário para exercer o magistério em suas comunidades. Depois de muitas reuniões, tentativas e filas, no dia 20 de abril os professores receberam o primeiro salário! No total, onze professores assinaram um contrato temporário e agora são funcionários da Secretaria de Educação do Estado de Roraima.
Essa conquista representa muito, tanto para os professores que há muito tempo trabalhavam como voluntários, como para os missionários que auxiliam nas escolas indígenas. A missão tem financiado por muitos anos todos os custos com a educação nessas aldeias, entre eles: material didático, alimentação, auxílio financeiro para os voluntários e os vôos. Agora, aos poucos estamos vendo a própria comunidade escolar ‘andando com suas próprias pernas’.
Outros desafios estão por vir. Os professores precisam completar seus estudos para serem contratados definitivamente. Eles têm somente o Ensino Fundamental I. Infelizmente ainda não temos disponível nas aldeias a continuidade desses cursos , mas estamos estruturando um projeto para poder oferecer essa capacitação o mais rápido possível. Queremos continuar auxiliando esses professores e alunos a terem uma educação de qualidade em seu contexto. Orem por esses desafios.
Os desafios da educação escolar indígena em 2010
A Educação Escolar Indígena tem sido um dos desafios da Missão Evangélica da Amazônia. As escolas em área ianomâmi existem informalmente há mais de 40 anos, mas somente a partir de 2003, a primeira escola foi reconhecida pela Secretaria de Educação do Estado de Roraima, sendo autorizada a atuar como Escola Estadual. Em 2009, outras três escolas receberam a autorização.
Junto com os benefícios, o reconhecimento trouxe também responsabilidades e desafios. Como escola estadual, os professores têm de prestar contas detalhadas com relação à frequência dos alunos, plano de aula, Projeto Político Pedagógico, regimento interno e grade curricular, entre outras coisas. Muitas vezes isso é complicado, pois a escolaridade dos ianomâmis é de 1ª a 4ª série e seus professores não têm o conhecimento técnico necessário para desempenhar essas funções sem supervisão. Estamos treinando os professores para que gradualmente assumam a educação escolar de seu povo. Nossas equipes de missionários que moram nas comunidades, além de lecionar, atuam no treinamento de professores, na produção de materiais didáticos na língua materna, e na orientação de todo o funcionamento e prestação de contas das escolas. Esses projetos têm um forte papel de valorização cultural, ajudando na preservação das línguas indígenas.
Essa tarefa não é fácil, pois além de todas essas atividades, nossa equipe tem o desafio de trabalhar na área lingüística, na tradução da bíblia, discipulado, manutenção do posto e no cuidado diário de suas famílias.
O apoio da missão na área educacional é muito importante, pois a educação escolar indígena é necessária. Sem ela muitos grupos continuariam vitimados por um processo de exclusão social, sem condições de conhecer e lutar por seus direitos, e desconhecendo os benefícios que o aprendizado tem na dinâmica de sua cultura. E quando falamos de culturas, inclusive da nossa, temos de lembrar que elas não são estáticas, vivem em constante mudança e adaptações, e são capazes de agregar novos valores, além de crescer a partir de conhecimentos, entre eles os que a educação escolar possibilita.
Esse trabalho também abre portas para que muitos indígenas tenham contato e conheçam a palavra de Deus, traduzida em sua própria língua, e o maravilhoso amor demonstrado por Jesus Cristo. Igrejas com lideranças fortes e autóctones também têm surgido, pois conhecendo e lendo a palavra, o Espírito Santo os tem conduzido a uma fé genuína.
Ainda temos muitos desafios, como por exemplo, oferecer a formação de 5ª a 8ª série para que os professores ianomâmis possam cursar o magistério indígena e ser devidamente regularizados na secretaria de Educação.
Orem por esses desafios! Queremos colaborar com esses povos de maneira integral, considerando o ser humano como um todo e suas necessidades em geral. Não é possível amar apenas com palavras e não fazer nada para solucionar a situação de injustiça e miséria que enfrentam. Não basta falar do amor de Jesus, é necessário vivê-lo e demonstrá-lo através do serviço.
MEVA apresenta ao Governo de Roraima Projeto Político Pedagógico da escola de Parimi-ú
O departamento de educação da MEVA concluiu esta semana a reformulação do Projeto Político Pedagógico da Escola Estadual Indígena Palimitheli. O documento segue amanhã (dia 29) para a aldeia para ser aprovado pelo professor indígena responsável pela escola. A assinatura é o último passo para a apresentação à Secretaria de Educação, que, após análise, autorizará sua execução.
O trabalho da MEVA na área de educação nas aldeias é desenvolvido em parceria com a Secretaria de Educação do Estado de Roraima. As escolas precisam obedecer às leis e requisitos para serem legalmente reconhecidas e apoiadas pelo governo. Para que isso aconteça, é necessário planejamento e execução de projetos que geralmente dão muito trabalho. As missionárias Graziela Camargo e Sandra Campos são pedagogas e coordenam o departamento educacional da Missão. Elas dão suporte às escolas da mata, possibilitando que a equipe missionária no campo possa atuar de maneira mais efetiva, sem que precise gastar seu tempo ou até sair da aldeia para resolver questões burocráticas na cidade.
O Projeto Político Pedagógico (PPP) da Escola Indígena Palimitheli (povo ianomâmi) foi construído juntamente com a comunidade, dentro da legislação de educação do país. O PPP é um planejamento de trabalho participativo que engloba todo o funcionamento da escola, sua metodologia, currículo, funções e toda a sua filosofia educacional.
As escolas indígenas têm muitas diferenças em relação a uma escola comum. Elas têm um currículo diferenciado que procura respeitar as diferenças culturais de cada povo. Por exemplo: O povo ianomâmi não tem o costume de ficar muito tempo concentrado dentro de uma sala. As crianças já ajudam os pais, os meninos na roça e caça e as meninas cuidam de seus irmãos menores. Uma grade curricular específica foi adaptada para essa realidade para não atrapalhar o dia-a-dia da comunidade. Eles terão somente duas horas de aula por dia e, ao contrário de uma escola comum, o ano letivo será realizado durante dois anos civis. Essa foi uma das mudanças mais significativas que o PPP abordou, que esperamos implementar em breve para que o povo possa aprender de forma mais eficaz e diminuir o índice de desistência.
NOVO RUMO NA TRADUÇÃO DA BÍBLIA PARA A LÍNGUA PARIMITÉRI

Equipe trabalhando na tradução
Há alguns anos o trabalho de tradução de porções da Bíblia levava muito tempo para ser concluído. Muitos tradutores gastavam suas vidas nessa tarefa. Hoje, a possibilidade desse trabalho ser concluído com mais rapidez tem se tornado uma realidade. Um exemplo disso é a iniciativa da equipe do posto Parimi-ú, que trabalha com o povo ianomâmi no Alto Uraricoera, em se unir para acelerar o trabalho. Com as novas ferramentas disponíveis e o trabalho de mais membros da equipe do posto, a possibilidade de diminuir o tempo de tradução e de ver a Bíblia toda traduzida tem motivado esses missionários.
Até hoje a tradução para a língua parimitéri é feita por dois missionários. Patrícia Rocha trabalha em Boa Vista concluindo o livro de Apocalipse. Estevão Anderson, residente no posto, revisa os livros e porções que já foram traduzidos. A missionária Betânia Rodrigues apóia na aldeia no processo de retrotradução, ou seja, a tradução do texto da língua de destino novamente para o português, com o auxílio de um indígena, a fim de verificar sua compreensão, especialmente das expressões utilizadas.
O novo modelo de trabalho vai envolver todos os membros da equipe que já dominam o idioma ianomâmi parimitéri. Daniel Brown e Nara Taets vão auxiliar na verificação do que já foi traduzido e participar diretamente das etapas de trabalho das próximas traduções. Betânia vai se envolver ainda mais no trabalho de retrotradução com consultores.
Tempo e disciplina

Daniel Brown aponta a pesada rotina de manutenção do posto como um desafio a ser superado para a consolidação desse novo modelo. “Eu já pensava em ajudar, mas com tantas atividades na aldeia, não encontrava tempo para me dedicar exclusivamente a isso”, explica. Daniel já está aprendendo a utilizar o programa de tradução e a fazer a retrotradução.
Nara Taets destaca a disciplina para conciliar a família com o trabalho de tradução e outras atividades no posto como um alvo para o bom andamento do projeto. “Foi Deus quem me deu sabedoria para eu saber o que sei da língua ianomâmi. Ele me ajudou a aprender para que, por meio da tradução da Bíblia, o povo ianomâmi tenha o privilégio de ouvir Deus falar através da Bíblia em sua própria língua,” explica Nara. (Foto: Betânia e Nara)
A família de Nara se prepara para iniciar uma nova fase de seu ministério em Boa Vista, a partir do final de 2009, para acompanhar de perto o estudo dos filhos. O trabalho de tradução será uma das formas de Elias e Nara continuarem diretamente envolvidos com o povo de Parimi-ú, apesar da distância.
Desafios da Tradução
“Há quem pense que para traduzir a Bíblia é preciso simplesmente conhecer a língua para a qual o texto será traduzido. No entanto, é importante entendermos que a realização desse trabalho passa por várias etapas”, frisa Patrícia Rocha.
De acordo com Patrícia, na primeira fase faz-se o levantamento dos termos chave e a exegese do livro, só então se começa a tradução, utilizando para isso diferentes informantes, que farão o teste de compreensão. No caso de Patrícia, Betânia faz a retrotradução, a tradução do texto ianomâmi para o português. Depois o material é enviado à consultora externa – uma linguista mais experiente - que verificará todo o trabalho feito até aquele momento. Se houver mudanças necessárias, ela manda de volta e a tradutora efetua as correções.

Batismos e conversões
Sede pela palavra
Segundo Patrícia, há um grande clamor dos crentes parimitéris pelos trechos e livros já traduzidos. “Eles querem ter em mãos para estudar e ensinar”. Nos últimos três anos, 56 indígenas foram batizados em Parimi-ú. Trata-se de um movimento sem precedentes na história desse povo. Nesse contexto, a Bíblia na língua do povo de Parimi-ú torna-se um imperativo para a MEVA que há mais de 50 anos mantém equipes na região do Alto Uraricoera.
CAPACITANDO HOMENS FIÉIS PARA INSTRUIR A OUTROS
Anauá é uma das diversas aldeias uai-uais de Roraima, situada ao sul do estado, a aproximadamente 350 km da capital, Boa Vista, com uma população de aproximadamente trezentos indígenas. Depois de 50 anos de conhecimento do evangelho, a comunidade desfruta de benefícios que os princípios da Palavra de Deus oferecem, e hoje dispõe de uma boa estrutura de saúde e escola, e igreja organizada. Com liderança própria, a igreja não depende mais da presença permanente de missionários. Diante dessa realidade, percebemos que a melhor maneira de ajudar seria através de cursos que promovessem melhor compreensão e conhecimento bíblicos, capacitando-os, assim, a desenvolver ministérios na igreja de maneira mais eficaz. Foram oferecidos os seguintes cursos: A Vida e o Ministério de Jesus; Curso de Aperfeiçoamento para Professores de Escola Dominical; Métodos de Estudo Bíblico; A História da Conversão de Eucá (baseado no livro “O Pajé de Cristo”); Panorama do Antigo Testamento; Panorama do Novo Testamento, dentre outros. Os módulos foram iniciados no princípio de 2007, sendo que esta primeira etapa foi concluída nos dias 15 e 16 de agosto, com um culto de ação de graças e cerimônia de formatura para os 25 uai-uais que concluíram todos os módulos. Para essa ocasião especial estiveram presentes Curt Kirsch e André Souza, missionário responsável pelo curso. Este foi mais um passo para o amadurecimento dos líderes uai-uais e da igreja como um todo. Celebramos este momento como mais um etapa cumprida, conscientes de que ainda há um longo caminho a trilhar nas busca de conhecimento e ferramentas para melhor servir ao Senhor. Antes de tudo, somos gratos a Deus, fiel mantenedor de nossas almas. Nossa gratidão também a todos aqueles que direta ou indiretamente contribuíram, tornando este ministério possível, de modo que essa realização é de todos os que têm nos acompanhado durante esse período. À Igreja Aliança Cristã e Missionária de Vila Madalena, S. Paulo, cuja liderança, quando o projeto ainda era um sonho, ajudou a germinar e ofereceu apoio para a concretização do mesmo. À MEVA, agência missionária a que pertenço, por viabilizar e apoiar esse trabalho. À Igreja Presbiteriana do Vale Operário que tem acreditado e investido em nosso ministério, mesmo sem termos tido contato pessoal. A todos os participantes do “Projeto 33” que, com a compra da moto, facilitou muito as viagens para a aldeia. E, finalmente, às centenas de pessoas que têm orado, contribuído, ou vindo até Anauá para ajudar com seus dons e talentos. A todos a nossa sincera gratidão.
André O. de Souza
EU PENSEI QUE NUNCA VERIA…
As pinturas e penas coloridas davam um ar de festividade e alegria à reunião. Arnaldo e Kaxi recebiam a bênção e o apoio da igreja através da imposição de mãos e orações. Na verdade, o que eu presenciava era muito mais que um culto de consagração da vida de dois jovens que se despediam da sua comunidade e familiares para uma longa viagem ao Rio de Janeiro para estudo de português e de preparação teológica e profissional. A reunião marcava o início de uma nova oportunidade para jovens ianomâmis, patrocinada pelo CONPLEI, Conferência Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas, uma entidade autenticamente indígena, que tem investido muito na preparação e treinamento de novos líderes indígenas cristãos. Mas essa história começa muito antes, nos anos sessenta, com a chegada dos primeiros missionários à região do rio Auaris, numa das regiões mais inacessíveis do planeta, bem onde o Brasil acaba… Ou começa.
Donaldo e Anita Borgman, Paulo Silas e Iveli Diniz, Julieta Souza, Lois Cunningham, Diana Voth, Edson e Myriam Silva, Mimica e Lene Silva, dentre outros, gastaram suas vidas para que aquela reunião fosse possível. O Novo Testamento foi traduzido e um movimento de conversões e interesse pelas Palavra de Deus teve início. Muitos foram batizados e, depois de tantos anos, os frutos começaram a aparecer. Arnaldo e Kaxi representavam uma nova geração de sanumás que tiveram suas vidas transformadas pelo poder do evangelho e agora se preparavam para partir, deixando a aldeia por três anos para viver na cidade grande, apoiados e cuidados por igrejas e irmãos mantenedores do CONPLEI.
Passei uma semana entre os sanumás estudando o Pentateuco. Fiquei impressionado pelo interesse dos mais de trinta alunos presentes, alguns vindos de muito longe, vários dias de viagem, para aprender mais e poder ensinar em suas aldeias de origem. Mais de mil e quinhentos indígenas vivem naquela região e em várias aldeias surgiram líderes que têm assumido a responsabilidade pelo ensino em suas comunidades. Foi um privilégio participar dessa etapa do Micali ─ Ministério de Capacitação de Líderes ─, projeto da MEVA que tem assumido o treinamento desses novos líderes. O estudo do Pentateuco com ênfase na promessa do Redentor foi para mim um grande desafio. Eu pensei que não veria, mas o interesse, mesmo com a “aridez” do tema, foi uma grande surpresa para mim. Apesar do cansaço de aulas e palestras durante o dia todo, à noite a igreja estava lotada para assistir aos filmes relacionados ao tema. O filme Jesus, dublado para a língua Sanumá, que tem duas horas de duração, poderia ser passado quantas vezes quiséssemos. Levei também um filme que mostrava a saída do povo de Israel do Egito para complementar as aulas. Tivemos que exibi-lo muitas vezes.
A presença de Eli Ticuna, um dos líderes do CONPLEI, nos primeiros dias do curso, foi também uma grande bênção para todos nós. Pudemos ver o poder da transformação do evangelho em sua vida. Ele incentivou e aconselhou os dois sanumás que partiriam para o longo período longe de casa, usando como exemplo a sua própria vida. Eli deixou sua aldeia no Amazonas nas mesmas condições em que Arnaldo e Kaxi estavam deixando Auaris; sem saber falar a língua nacional e sem conhecer a cultura brasileira. A nossa oração é que Deus faça na vida dos dois jovens sanumás o mesmo que fez com o hoje líder e pastor Eli Ticuna.
Orem conosco para que mais sanumás venham a conhecer o Senhor, que os esforços para o treinamento da liderança possa continuar espalhando a boa semente em solo fértil, e que possamos ver uma colheita ainda maior, muito maior do que essa que eu pensei que nunca veria.
Milton de Camargo César Sobrinho
Presidente da MEVA
Henahi leva educação e evangelho para cinco comunidades ninam

A "Casa Temporária" da equipe em Ericó
A equipe do Projeto Henahi da MEVA realizou uma visita à aldeia do Ericó, no Norte de Roraima, onde vive parte do povo ianomâmi Ninam Xiriana. A etapa, realizada no mês de julho, foi a primeira de uma iniciativa que amplia o ministério entre este povo de 325 pessoas para cerca de 1000. O Henahi – palavra da língua ninam para casa temporária – é formado por três missionárias que residem no posto avançado da MEVA no Alto Mucajaí, região Oeste do Estado, a 1h de vôo de Boa Vista. Agora as ações na área de educação e evangelismo itinerantes chegam às regiões de Uraricoera, Uxi-ú, Ericó e Baixo Mucajaí.
O Projeto Henahi tem como objetivo realizar viagens periódicas às diversas aldeias deste grupo. As viagens têm duração média de uma semana, período em que as missionárias realizam orientação pedagógica com os professores , alfabetização das crianças, leitura de textos bíblicos e distribuição de gravações de trechos da Bíblia em ninam. O projeto nasceu da necessidade de criar novas estratégias para o trabalho no Posto Mucajaí, sendo expandido para outras aldeias que falam a mesma língua. Anteriormente 324 ninam eram alcançados, com as visitas aproximadamente 1000 indígenas serão atendidos.
Henahi em Ericó
Por Maria Rosa Monte
Na chegada não havia ninguém esperando por nós. Como havia uma maloca sem paredes próxima a uma das casas, as coisas do Projeto foram colocadas ali. Nessa tarde, quando o Chefe Luisi chegou (ele é o contato do projeto na aldeia), nos deu as boas vindas, disse que poderíamos armar as redes ali mesmo e avisou que haveria uma reunião no dia seguinte. Jacqueline e eu, então, dividimos a casa com os cachorros durante esse período. Ainda bem que eles não se incomodaram com a nossa presença.

Professor Acindo, Jacqueline e Maria Rosa
No dia 15 pela manhã, na reunião com o povo, foi explicado o propósito do Projeto Henahi: a ajuda na escola e o ensino da Palavra de Deus. Tudo isso foi bem aceito pela comunidade e eles permitiram a realização do Projeto. Logo em seguida à reunião, iniciamos o trabalho de orientação aos professores Acindo e Mara. Nesse período descobrimos que é possível trabalhar em Ericó usando as cartilhas de Mucajaí, modificando algumas letras do Alfabeto.
Exemplo: Mucajaí Ericó Significado
lole rore sentado
ulu uru menino
Foi um trabalho bem produtivo e interessante. Deixamos algumas diretrizes para que os professores trabalhem com os alunos até o nosso retorno.
Quanto ao evangelismo, à medida que falávamos sobre Jesus, percebíamos que o grupo tem apenas uma noção de Deus mas não conhece nada sobre o Salvador. Vimos a necessidade de contar as histórias bíblicas de maneira cronológica (começando com a criação e a desobediência de Adão até Cristo). Numa noite, quando alguns da maloca estavam reunidos fizemos um breve resumo oral desde a criação até Jesus. Ficou evidente para nós que é preciso falar bastante sobre esse assunto para que cheguem à compreensão do amor de Jesus por eles.
Paralelamente ao Projeto, na quarta e quinta-feira as mulheres prepararam o Anahi-uk (fazem o beiju queimado, depois o desmancham em água quente, cuspindo dentro, para fermentear, e misturando tudo – fica parecendo chocolate), pois no fim de semana eles colocariam palha numa casa e a bebida era o pagamento. No sábado 18, por causa da festa, Jac e eu nos mudamos para a casa da FUNASA, para não corrermos riscos. Lá aguardamos o avião que nos levaria de volta a Mucajaí. Mas isso já é uma outra história.
O Projeto Henahi é formado pelas missionárias: Maria Rosa, Jacqueline e Isabel – que está em período de divulgação de ministério.









