Posts filed under ‘Equipes de voluntários’

‘Férias’ de dentista abençoam índios e missionários

 

Para a maioria das pessoas, férias com muito trabalho seriam uma grande frustração. Mas foi essa a opção do dentista Davi Kirsch, filho dos missionários Curt e Marta. Davi vive no interior de São Paulo, onde trabalha e faz residência. No meio de dezembro, trocou o conforto da casa dos pais em Boa Vista  por uma semana na comunidade de Haricatoú, acompanhado de seu pai e sua noiva, Gabriela.

A comunidade é o posto mais isolado onde a MEVA atua e, por conta do isolamento, a atenção à saúde desse povo é um grande desafio para o poder público e para a missão. Nos dias que passou ali, Davi atendeu 52 indígenas e realizou 125 procedimentos, com equipamento profissional de que a missão dispõe. Esses poucos dias com certeza fizeram muita diferença para o povo da aldeia. Foi também motivo de grande alegria e orgulho para o pai, que teve até que usar o motor de cortar grama da pista de pouso para improvisar um conserto no compressor de ar. Em sua última circular, Curt escreveu:

“Não há palavras para expressar meus sentimentos, após tantos anos, ao poder hospedar meu filho e minha futura nora na minha humilde casinha em Halikato-U. O vermelho do urucum para o ianomâmi significa alegria e, para exteriorizá-la, eu os recepcionei com minha cara toda pintada dessa cor.”

Quando chegou à cidade, Davi dedicou mais uma semana para atender aos missionários, cobrando apenas o custo do material utilizado. Agradecemos a Deus pela vida do Davi, Gabriela e de sua família.

 

06/01/2011 at 12:15 Deixe um comentário

E a turma da cozinha estava lá…

Entre os dias 5 a 9 e 12 a 15 de novembro tivemos o privilégio de receber nossos irmãos uai-uais, macuxis e uapixanas para mais um encontro em Boa Vista.Vindos de vários lugares para estudar a Bíblia, este momento promoveu comunhão entre eles e “entre nós”.

É claro que não podia faltar a turma da cozinha. Sob o comando da “Tia Tê” (mãe da missionária Patrícia) alguns missionários que atuam em outros ministérios dedicaram seu tempo para ajudar a fazer as refeições e limpeza, permitindo que nossos irmãos tivessem um tempo agradável e saboreassem uma comidinha deliciosa.

A equipe de missionários da MEVA está de parabéns! Sem vocês não seria possível a realização desse encontro que abençoa tantas pessoas. Deus os abençoe!

19/11/2009 at 17:56 Deixe um comentário

Equipe da Igreja Batista de Campo Belo – parceira da Missão há dez anos – visita o campo em Roraima

Por Izilda Berti

A IGREJA

Esta igreja já nasceu com uma visão missionária despertada pelo seu pastor na época, Abelardo Nogueira e sua esposa Sônia, auxiliando diferentes trabalhos ligados a missões urbanas. Seus filhos Lígia, Mauro e Daniel sempre estiveram ligados ao ministério de seus pais, e também se prepararam em bons seminários para servir ao Senhor com fidelidade, fruto do forte testemunho que tinham em casa.  Os três já são casados e Abelardo e Sônia desfrutam da maravilhosa bênção da multiplicação, com a casa cheia da alegria e vivacidade de seus netos.

Hoje, apesar de pequena, é uma igreja firmada nos alicerces da Palavra de Deus e conta com a administração de Daniel Nogueira e sua esposa, Cristina, que foram alunos do Seminário Bíblico Palavra da Vida. Eles têm uma filha chamada Isabela de 1ano e meio e aguardam a chegada de mais um bebê em breve. Daniel estudou teologia durante 5 anos e pastoreia a IBCB desde 2001.

A VIAGEM

Daniel esperava há tempos pela realização dessa viagem missionária, com a intenção de conhecer de perto o trabalho que sua igreja apóia através da parceria com o missionário Otoniel Berti e sua família, e também realizar um desejo pessoal acalentado desde o seminário.

Ele trabalhou junto com sua equipe para levantar o dinheiro necessário para a viagem até Boa Vista, e custear os gastos com a hospedagem e viagens menores realizadas pelo interior do Estado, que aconteceram durante o mês de outubro de 2009.

Não foi fácil organizar os trabalhos da igreja para se ausentar durante 19 dias, sendo que os outros participantes da viagem missionária também deixaram seus empregos e familiares para viverem esse grande desafio. E valeu a pena!!!! Foi uma experiência marcante!

PIC_0190A equipe formada por Daniel Nogueira – pastor da IBCB; Júlio Souza – líder de missões da igreja –, pequeno empresário, casado com Ruth e pai de Yasmin (11) e Letícia (5); Antonio Moura –  integrante do ministério de evangelismo da igreja –, operador de trem desde 1981 (metrô), casado com Francisca e pai de Adriana (26) e Carlos Henrique (24) e avô de Larissa (8); e Henrique Matos – membro da igreja – piloto de aeronave, pai de Bruno.

UM ROTEIRO EMPOLGANTE

Após uma viagem cansativa de 10 horas, chegaram em Boa Vista no dia 30/09 – quarta-feira – cansados, mas com grandes expectativas

Dia 01/10 – Após um bom descanso, conheceram a cidade, o local onde a Meva mantém seus escritórios e alojamentos, a missão Asas de Socorro e seu hangar, e a Casa do Índio, onde são hospedados indígenas que deixam suas aldeias para tratamento de saúde. À noite, participaram da reunião de oração da MEVA, que acontece todas as quintas-feiras, onde são passadas as informações, conseguidas através de um contato de rádio, sobre todos os postos onde a Missão atua. Estranharam muito o calor!!!!

Dia 02/10 – Viajaram para Manoá – uma comunidade onde vivem indígenas macuxis, localizada cerca de duas horas e meia da cidade.

Dia 03/10 – Durante o dia viajaram para o país fronteiriço da Guiana, onde se divertiram e compraram presentinhos para as famílias. Daniel participou de uma reunião de jovens e adolescentes da Igreja Batista da Graça, desafiando-os com a vida de Elias.

Dia 04/10 – Participaram da Escola Bíblica em Taba Lascada onde Hamilton e Rose Bossan e a missionária Sandra Campos auxiliam uma igreja nova entre indígenas uapixanas.  Logo após o almoço, Henrique voltou para São Paulo para cumprir a sua agenda de trabalho em uma companhia aérea. No culto da noite marcaram presença na Igreja Batista da Graça novamente.

ALmoçoDia 05/10 – foi reservado para a organização da viagem para a  comunidade de Maracanã, localizada a aproximadamente 8 horas da cidade Foi um dia muito cansativo fazendo compras da comida (quando puderam comprovar o alto custo de vida da cidade) e também material para os trabalhos de manutenção que seriam feitos. Toda carga, incluindo portas e janelas de madeira, gasolina, comida e água foram acomodadas na Toyota usada pelo missionário Otoniel, antes de dormir. Trabalho exaustivo!

Dia 06/10 – Acordaram bem cedo para sair para a viagem antes de o sol ficar muito forte e desanimador! A saída foi acompanhada por Izilda, Marília e Marina (esposa e filhas de Otoniel), que se integraram à equipe de apoio, preparando deliciosas refeições e orando! A viagem prevista para 8, durou 11 horas. Otoniel havia esquecido as dobradiças das portas que seriam colocadas. Precisaram voltar depois de mais de 1 hora de viagem. Mais tarde o pneu furou! Viajaram o dia todo. Quando chegaram, já era a hora do jantar, e estavam na expectativa da noite em que dormiriam em redes! Durante aqueles dias, contaram com ajuda de Celestino que orientou todo o trabalho, e a família de José Amazonas e Ariadina que ajudou com as refeições.

PIC_0046Dia 07/10 – A atividade principal foi a colocação de portas e janelas na nova igreja. Daniel compartilhou na reunião realizada à noite.

Dia 08/10 – Portas e janelas e limpeza do local. Passearam durante a tarde para conhecer as proximidades da aldeia. Antonio compartilhou à noite na reunião, dando seu testemunho.

Dia 09/10 – Trabalhos e reunião à noite onde a Palavra foi ensinada por Júlio.

Dia 10/10 – Viagem de volta a Boa Vista.

CHOQUE CULTURAL

MucajaíDia 11/10 – Descanso pela manhã e cautela! Eles passaram a semana toda com um forte desarranjo intestinal. Fizeram algumas compras para a viagem que seria realizada à aldeia de Mucajaí – índígenas ianomâmis, onde visitariam o casal de missionários Josimar e Lena, e as missionárias Jacqueline, Rosa e Isabel. Após o almoço, foram levados ao aeroporto por Daniel Brown.  Elias Taets foi com eles nesse vôo para ajudar a cortar a grama da pista de pouso. Voaram sob os cuidados da missão Asas de Socorro, tendo Timóteo Johnsons como piloto. Foi um dos maiores choques culturais! Apesar da viagem emocionante, sobrevoando a Floresta Amazônica, sob um imenso céu azul, apreciando a paisagem sobre um vasto tapete verde de árvores, a chegada na aldeia é difícil descrever. O vôo de apenas uma hora os conduziu a outro mundo! O impacto foi grande com a diferença de língua e cultura. Chegaram no final do dia, quando um culto estava começando.  Júlio passou muito mal durante o vôo. Jacqueline ajudou fazendo a tradução da língua ninan, e cantaram corinhos também.  Daniel compartilhou sobre o amor de Deus manifestado na vida de Lázaro durante sua enfermidade.

Dia 12/10 – Após uma noite com as emoções à flor da pele, participaram de uma reunião onde Josimar fez a devocional. Passearam para conhecer o local e comprar artesanatos, enquanto Elias cortava a grama. Almoçaram um delicioso churrasco! O vôo de volta a Boa Vista foi às 15h.
Eles correram todos os dias no final da tarde, fizeram sauna, nadaram e tomaram deliciosos sucos de frutas regionais.  Em um desses passeios descobriram que haveria uma importante corrida em comemoração aos 25 anos da Base Aérea de Boa Vista. Como todos eles são atletas, e participam de corridas famosas, como a de São Silvestre em São Paulo, decidiram participar dessa também. Que fôlego!

Dia 13/10 – Passaram a manhã na cidade. Fizeram a inscrição para a corrida.

Dia 14/10 – Planejaram ir para a Venezuela, mas estavam muito cansados e ainda com a famosa “carreirinha”, que teimava em não ir embora. Treinaram para a corrida no trajeto determinado pelos programadores.

Dia 15/10 – Daniel foi o responsável pela palavra na reunião de oração da MEVA, onde compartilhou novamente sobre Lázaro, a pedido de Otoniel. Foram momentos de consolo e ânimo para muitos ali. Júlio e Antonio compartilharam sobre as viagens.

Dia 16/10 – Viajaram para a cidade de Santa Elena na Venezuela, que fica a 3 horas de Boa Vista. Foi muito divertido conhecer mais um país e comprar presentinhos.

Dia 17/10 – Finalmente, o dia da corrida chegou. Almoçaram um cardápio sugerido por Antonio e no começo da tarde foram buscar o “kit” da corrida, que aconteceria às 17h. Ficaram tão empolgados que convenceram até o missionário Elias a participar.

A CORRIDA

CorridaNa hora combinada, deixaram a casa e se dirigiram ao local da corrida. Otoniel e sua família, e Daniel Brown e sua família foram os torcedores que acompanharam os atletas. Foi emocionante ver os rostos dos nossos visitantes entre aproximadamente 300 corredores! Todos os que completaram a corrida receberam medalhas.

O mais emocionante foi quando Antonio foi classificado e recebeu a premiação da sua categoria! A comemoração foi feita em uma pizzaria.

Dia 18/10 – Arrumaram as malas, foram à Igreja Batista da Graça pela manhã e almoçaram correndo para pegar o avião de volta para São Paulo, onde as famílias os aguardavam com ansiedade.

Foi muito gostoso recebê-los aqui, o que nos tornou mais próximos da igreja, com certeza! Sem dúvida, eles viveram dias intensos conhecendo o campo missionário sob os cuidados de  Deus, que os presenteou com a viagem e com Sua proteção em tudo!

Suas considerações sobre as experiências:

•   Disseram que o mais difícil foi a viagem a Maracanã;
•   Ficaram tocados com a simplicidade da igreja em Taba Lascada (embaixo de árvores);
•  O  mais emocionante foi o vôo com Asas de Socorro e a chegada na aldeia ianomâmi;
•  Perceber a diferença de vida entre povos indígenas onde há cristãos mais firmes.
•  Conhecer as dificuldades que surgem no trabalho de evangelização de povos isolados.

27/10/2009 at 15:00 2 comentários

Posto mais isolado da MEVA recebe equipe de saúde

O cirurgião pediátrico Moacyr Magalhães e o dentista Daniel Schimenes ficarão por nove dias na aldeia ianomâmi de Haricato-u, na região do Alto Uraricoera, oferecendo atendimento aos indígenas da região.

Daniel é membro da Igreja Batista do Morumbi (SP) e missionário da SEPAL (Servindo a Pastores e Líderes), responsável pelo departamento de mobilização missionária. Além das clínicas realizadas em parceria com a MEVA, Daniel é responsável por grupos de profissionais de saúde enviados à África e a vilas de pescadores no Brasil. Moacyr é membro da Igreja Batista do Povo (SP) e está pela segunda vez em Roraima. Na visita anterior, o médico esteve em Parimi-u, também na região do Alto Uraricoera.

A equipe, que utilizará o equipamento odontológico da MEVA, está levando ao posto medicamentos que serão doados à missão após a estada deles em Roraima. Dois missionários já estão na aldeia: Curt Kirsch e Wanderlei Pina, que acompanhou Curt até a chegada da equipe médica.

A viagem ao Haricato-u acontece dois dias após a operação da Polícia Federal e do Exército no posto da MEVA. Atendendo à determinação da PF, a MEVA apresentou ontem à entidade uma autorização para a permanência de missionários na região, emitida pela Funai. A presença de Daniel e Moacyr também foi aprovada pela Funai e comunicada oficialmente à PF.

14/10/2009 at 9:50 Deixe um comentário

Celestino Padilha, chamado para edificar

Celestino

A igreja da aldeia macuxi de Manoá, a 80 quilômetros de Boa Vista, vai receber nos próximos meses um novo espaço para reuniões. Em meio aos materiais de construção, à poeira e ao calor equatorial, a vida simples de um homem de 70 anos, o ‘Seu’ Celestino, se torna impressionante. O testemunho desse homem reflete o amor de Deus pelo povo macuxi, as bênçãos reservadas àqueles que lhe são fiéis e o sentimento de responsabilidade diante da obra missionária. Sem sustento de igrejas, vivendo apenas com sua aposentadoria, ’Seu’ Celestino tem feito a diferença na vida de seu povo, em várias aldeias.

Celestino Brasil Padilha, nasceu aos 19 de julho de 1938 no interior de Roraima, em uma pequena vila localizada na estrada que liga Boa Vista à Venezuela. Cresceu sem a presença dos pais, às margens do rio Amajari, trabalhando desde pequeno em uma fazenda. Aos 14 anos começou a trabalhar no garimpo, onde permaneceu até o ano de 1960. Conheceu Justina da Costa, da aldeia de Maracanã. Casaram-se e tiveram cinco filhos. Ela faleceu em 2003, vítima de diabetes.

Celestino converteu-se em 1960 por meio do trabalho realizado pela Rádio Transmundial. Foi discipulado pelo missionário João Batista da MEVA e firmou-se na fé. Morou na aldeia de Maracanã por 12 anos. Em 1973, mudou-se para a cidade de Boa Vista, onde trabalhou exercendo os talentos de pedreiro, carpinteiro e pintor; sempre junto a igrejas que necessitavam de reformas ou até mesmo de construção. Ainda morando na cidade participou da construção das igrejas das aldeias macuxis de Napoleão, Macedônia e Maracanã. Clique e veja no mapa

Construção em Manoá, um ministério de amor

construçãoAgora em Manoá, Celestino assumiu o compromisso de tocar a obra da nova igreja, desde capinar a área até o acabamento do prédio. Apesar da idade e do cansaço, ele não perde um culto e aproveita cada oportunidade nas reuniões para compartilhar, exortar e desafiar o povo da aldeia.O trabalho da MEVA na comunidade, que fica a 2 horas de caminhonete da cidade, é feito por meio de visitas regulares para instrução e edificação da igreja local e de seus líderes. A igreja em Manoá conta com a dedicação do pastor Arnaldo Simplício, que é casado com Oneida e têm nove filhos.

Uma das grandes dificuldades desta e de outras igrejas é a localização. Como as estradas ainda são de terra, o contato com outras igrejas e a troca de experiências são mais difíceis, provocando um desânimo grande nos cristãos. Os jovens ficam desmotivados a prosseguir sua vida com Deus, as famílias ficam enfraquecidas, e muitas vezes são iludidas com as tentações da vida da cidade.

Diante dessas circunstâncias, Seu Celestino tem dedicado sua vida a incentivar essas igrejas do interior. Ele não quer deixar o povo se acomodar, e tem viajado para exortar os irmãos a continuarem a vida cristã. Usando suas habilidades no trabalho de construção, tem dedicado seu tempo na construção de novos espaços físicos para essas igrejas mais novas. Em sua opinião, “esta é uma das maneiras de animar e ensinar o povo a dar a Deus o que eles têm de melhor!”, afirma.  Para ele um local novo para as reuniões pode também motivá-los a ter mais constância nos cultos, obtendo assim um maior crescimento espiritual.

‘Fazendo tendas’ com a aposentadoria

tatuCelestino não tem sustento financeiro especial pelo que faz. Hoje ele vive com sua aposentadoria. Com esse dinheiro compra a sua comida, paga as passagens de ônibus para as aldeias e compra remédios. Ele até vendeu alguns objetos para levantar mais dinheiro para as viagens. A preocupação de Seu Celestino com o povo é tão grande, que ele faz questão de levar até a comida que vai consumir no período de permanência na aldeia. Enquanto realizam a construção em Manoá, as crianças e jovens ajudam na obra, enquanto as mulheres cozinham as refeições. O prato do último sábado foi um saboroso tatu.  

 
Bênçãos que atravessam gerações

 Dentre seus filhos, um é missionário-mecânico da missão Asas de Socorro – Cleo Brasil que é casado com Raquel e tem dois filhos: Suzana e Felipe. Seu Celestino se considera um homem tranqüilo, que vive em paz: “Deus me protegeu, e também aos meus filhos, que são cristãos, cresceram, e se tornaram bem ajustados e firmes na Palavra de Deus!”

Durante a construção da igreja em Maracanã, sua filha Leônia faleceu aos 42 anos, vítima de diabetes, deixando um casal de filhos. Mesmo assim, Celestino continuou a trabalhar na construção e, durante o culto realizado no Natal de 2008, já com a igreja funcionando, deu o seu testemunho emocionando a todos os presentes. Para que aquele evento tão importante acontecesse, ele ajudou os irmãos que cozinhavam carregando panelas, servindo refeições e organizando as acomodações dentro da igreja durante os cultos.

O que o leva a realizar essas coisas? A resposta desse homem ainda vigoroso e decidido é uma só: “Amor ao ministério, amor a Deus!”

30/09/2009 at 0:45 2 comentários

VANESSA NA MATA

VanessaA expectativa era muito grande. Estava ansiosa para conhecer o povo e toda a equipe. Havia alguns medos em meu coração. Medo da mata, da saudade da família e principalmente das ARANHAS! Minha chegada aqui na aldeia ianomâmi em Parimi-u foi muito legal. Vim como enfermeira voluntária para passar três meses, a fim de conhecer o trabalho missionário entre os indígenas aqui no Norte e ouvir a voz de Deus confirmando se é aqui que Ele me quer. Tem sido um tempo maravilhoso.

Já na primeira semana tive ‘um surto’ no meu primeiro encontro com uma aranha, mas aos poucos estou me acostumando, já até tiro foto delas e de tudo que encontro por aqui. A saudade da família tem sido suprida pela equipe de missionários. Tive até uma festinha surpresa no meu aniversário. Foi emocionante!

Passei por algumas experiências tristes. Uma delas foi a morte de uma criança ianomâmi. Confesso que fiquei chocada e chorei bastante quando soube que os pais estavam bebendo o dia todo e só levaram a filha à noite para a clinica, quando ela dava seu último suspiro. Tenho aprendido a amá-los e não quero desistir dos parimitheris. Creio que Deus tem confirmado a sua vontade em meu coração. Só tenho pedido a Ele que me capacite na clínica tanto profissionalmente quanto em meu relacionamento com o povo.

Vanessa

Agradeço a todos que têm estado comigo em oração.

Vanessa Ogeda Portes é enfermeira, membro da IPI de Jardim Paulista em Assis, SP, que a enviou para um período de estágio no campo missionário, a fim de confirmar seu chamado para o ministério em tempo integral.

15/09/2009 at 16:14 9 comentários

Cachoeiras, cobras e louvores

Aventuras e Milagres na expedição de 10 dias que levou 54 uai-uais de Roraima para a III Conferência Bíblica em Mapuera, no Pará.

por Izilda Berti


Uai-uaiA aldeia de Mapuera, formada por 200 famílias de indígenas da etnia uai-uai no Noroeste do estado do Pará, esteve em festa durante o mês de julho. O motivo foi uma grande conferência bíblica – um encontro com representantes de todas as aldeias uai-uais. Organizada pela Igreja Evangélica de Mapuera, a conferência recebeu também convidados de outras etnias que foram alcançadas pelo trabalho de evangelismo incansável de Eucá, o pajé que aceitou a Cristo em 1949. Estiveram presentes indígenas Tiriós vindos do Suriname, os Caxuanas vindos do Alto Rio Cachorro, os Araras  vindos de Altamira, os Riscarianas do Amazonas e Pará.

Entre os vários momentos de alegria naqueles dias, a chegada dos 54 irmãos da aldeia de Jatapuzinho, que fica em Roraima, foi marcante. Liderados pelo Pastor Ari, o grupo viajou durante 10 dias pelas matas numa aventura onde os cuidados de Deus foram claros e milagres aconteceram! Um amigo de Ari chamado Hildeblando, da cidade de São Luiz do Anauá, RR, participou da viagem e relatou maravilhado a sede deste povo pela Palavra de Deus, que seria ensinada durante a conferência. Não existia para eles nada mais importante do que participar daquele encontro! E assim eram motivados a superar grandes desafios!

uai auiO grupo saiu de Jatapuzinho dia 27 de julho às 8h30. A caravana foi dividida em quatro canoas grandes, cada uma com dois líderes. Hideblando viajou na canoa onde os uai-uais Jacó e Rosário eram os líderes. Viajaram o dia todo, acampando no final da tarde para preparar a comida, inclusive tendo que caçar também algumas vezes. Mas o mais importante eram os cultos realizados todas as noites durante a viagem sempre debaixo de chuva. Eram necessários alguns guarda-chuvas para que as Bíblias não molhassem.  Ari acordava o povo às 4h da manhã. A alvorada do grupo era também a ocasião para os ensaios dos cânticos que iriam ser apresentados durante a semana em Mapuera.

Na tarde do segundo dia na mata, alguns irmãos de Mapuera foram encontrar a caravana para ajudar a levar as pesadas cargas no trecho seguinte, que seria feito a pé subindo e descendo várias serras em meio a densa Floresta Amazônica. Levaram também alimentos e remédios. Mas antes o rio impunha seus desafios. Para atravessar as cachoeiras, a maioria precisou carregar as canoa desviando por terra, por causa do perigo, o que atrasava muito a viagem.  Levaram 1h40 para fazer a travessia desta parte da mata. Alguns líderes choraram empurrando canoas, sentindo muito medo de que não conseguiriam realizar esta difícil tarefa e chegar à conferência. No trecho feito à pé, a situação piorou quando Jacó foi picado por uma cobra. Eles não tinham remédios. Apenas oraram! E nada de mais grave aconteceu!

Quando chegaram cansados à beira de um igarapé foram surpreendidos por mais um grupo de irmãos, que com alegria esperavam por eles com muita comida: beiju, farinha, batata doce, cana, banana, peixe e carne de macaco. A alegria do grupo não se manifestou apenas em sorrisos. Juntos, todos entoaram louvores a Deus! Após o delicioso almoço, embarcaram em canoas e seguiram o último trecho de viagem, novamente navegando em canoas já no Rio Mapuera.

Chegaram à primeira comunidade chamada Bateria e tiveram a mesma recepção calorosa! No dia seguinte, após o café, partiram para alcançar a segunda comunidade onde puderam descansar. No outro dia viajaram para chegar à terceira comunidade. Quando se aproximavam de cada uma destas comunidades, ficavam em pé nas canoas exibindo faixas e a bandeira do estado de Roraima!

No último dia do acampamento já estavam avistando a aldeia de Mapuera e começaram a se preparar para a chegada. A ordem recebida é que só poderiam desembarcar no porto de Mapuera no dia e hora marcada por eles.  Neste momento de espera, todos se arrumaram com a melhor roupa. O encontro finalmente aconteceu  com o grupo dos anfitriões da aldeia de Mapuera soltando foguetes primeiro. Depois os visitantes de Jatapuzinho avisavam sua chegada também com foguetes e muitos cânticos e danças!

30/07/2009 at 15:46 Deixe um comentário

Pajé de Cristo em Mapuera

Marcelo BertiDSC003174 (800x533)

Uma equipe da Igreja Batista Cidade Universitária realizou, entre os dias 6 e 12 de julho, atividades com a comunidade de Mapuera, durante a III Conferência da Bíblia. Além dos uai-uais de diversas aldeias da região, Mapuera também recebeu tiriós, hiscarianas, indígenas da Guiana e alguns karaiuás (homens brancos) da cidade de Oriximiná (PA), somando mais de 1500 pessoas.

Quatro cultos diários foram programados pela liderança da igreja de Mapuera: às 3h (!), 7h, 14h e 18h. O pastor Fernando Leite ensinou a todos os participantes sobre as prioridades de Jesus para os cristãos .  A mim coube ensinar os princípios soteriológicos, a partir das histórias de Cristo nos evangelhos. Os jovens e adolescentes, durante a manhã, tinham uma programação especial. Com atividades agitadas e novas na localidade, Edmur, Davi e Adrielle ensinavam as escrituras de modo acessível a todos. No período da tarde, as crianças tinham suas atividades coordenadas por Priscila Corilow.

Entretanto, era no período da noite que toda a comunidade se apertava na grande igreja construída em Mapuera para ouvir a história que havia alterado o rumo de suas vidas. Cerca de 800 pessoas esforçavam-se para se acomodar dentro da igreja. O restante dos moradores de Mapuera e visitantes se ajuntavam nas janelas. Todas as atenções estavam sobre a história de como o Evangelho chegou aos uai-uais.

Com frases curtas e incisivas, Izilda Berti contava a história de Eucá – o jovem feiticeiro que se tornou exemplo do poder de Deus, ao se converter e vencer publicamente as trevas e os medos que cercavam a vida do povo uai-uai. Em função das diversas etnias presentes, três intérpretes garantiam que todos entendessem a história.

Além da clareza da história contada, Izilda usou parte do acervo fotográfico dos missionários protagonistas desses acontecimentos. A apresentação dos slides em PowerPoint encantou a muitos. A cada imagem, a cada parte da história, ouvia-se no salão o barulho das conversas e reflexões feitas, ou os risos das pessoas que conseguiam identificar algum parente ou lugar conhecido nas imagens.

DSC003141 (800x533)Comovidos pelo relato da Graça de Deus manifesta na vida de Eucá, muitos indígenas se identificavam com a figura do ‘Pajé de Cristo’ de tal forma que não podemos medir os impactos causados pela apresentação dessa história. Este fato pôde ser percebido no silêncio introspectivo que reinou no salão da Igreja de Mapuera quando Izilda falou sobre a ocasião em que Eucá compreendeu sua pecaminosidade e necessidade de receber a salvação oferecida por Cristo. Era como se cada um dos presentes recordasse a ocasião em que também havia se rendido à Graça de Deus e ao modo como sua vida havia sido impactada pela presença pessoal do Espírito Santo.

Ao término de cada parte da história, era comum que alguns uai-uais nos procurassem para saber mais sobre Eucá, ou para se identificar com algum parentesco com o mesmo. Mas o mais interessante foi receber diversos indígenas com seus pendrives solicitando cópias das fotos, pois gostariam de contar essa história a seus parentes em outras aldeias. Não foram poucos os que pediram para ter acesso ao material para ler, aprender e contar esses fatos a seus conterrâneos.

Imagine, apenas por um momento, o que poderia acontecer se os indígenas uai-uais pudessem ter acesso à sua história em seu próprio idioma; se as crianças pudessem aprender sobre seu povo e de como Deus os alcançou com o evangelho; se os jovens pudessem encontrar em seu passado motivação para desenvolver sua salvação… Acredito que os primeiros passos nessa direção foram dados e esperamos que possam ser mantidos para que este projeto seja levado a outras comunidades, aldeias e etnias, de modo que outros grupos possam ouvir a história de como os uai-uais, indígenas como eles, tiveram suas vida alteradas pela Graça de Deus para a Glória de Deus.

Marcelo e Amanda (esposa)

Marcelo e Amanda (esposa)

Marcelo Berti é pastor de jovens da Igreja Batista Cidade Universitária. É casado com Amanda e filho de Otoniel e Izilda Berti, missionários da MEVA.

17/07/2009 at 12:16 Deixe um comentário

60 anos depois…

‘O Pajé de Cristo’ leva a Mapuera a história que mudou o destino do povo uai-uai

Continue Lendo 07/07/2009 at 10:44 3 comentários


"DEUS TINHA UM ÚNICO FILHO E FEZ DELE UM MISSIONÁRIO." David Livingstone
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