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Casal que mais tempo ficou no campo se despede-se da MEVA
Quando Estevão e Aurora Anderson chegaram ao Brasil, em 1964, a missão chamava-se Cruzada de Evangelização Mundial Secção Riobranquense e tinha apenas cinco anos de fundação. O trabalho pioneiro do casal foi fundamental na abertura e manutenção das frentes de trabalho entre o povo ianomâmi. Estevão foi um grande desbravador e comandou expedições a áreas remotas com o objetivo final de partilhar o Evangelho com os povos não alcançados. Mesmo nos últimos anos, não assumiram o papel de quem apenas faz ‘parte da história’ ou se torna ‘patrimônio vivo’. Até a partida para os EUA, na semana passada, a dedicação e a intensidade do ministério foram marcas desse casal, que se tornou também muito querido pelos povos entre os quais viveu e pelos colegas de ministério.
Nessa entrevista, eles contam um pouco sobre a chegada ao campo, os desafios dos primeiros anos, sentimento de sentir-se plenamente em casa em uma terra distante, e revelam, sobretudo, uma perspectiva prática e instigante do chamado missionário, a partir do legado de quem viveu quase meio século com as mãos no arado. Vale a pena assistir!
A entrevista completa (45 minutos) está disponível em DVD. Caso tenha interesse, solicite por e-mail.
A atuação da MEVA entre os povos macuxi e uapixana no lavrado
Desde antes do início da Meva em 1941, os pioneiros da missão se dedicaram à evangelização dos povos indígenas na região norte do Brasil. Um dos primeiros alvos era alcançar os indígenas macuxis que viviam espalhados nos cerrados da região central e norte do antigo Território do Rio Branco. As estradas eram rústicas e muitas viagens foram feitas de avião, caminhonetes, bicicletas e até a cavalo!
Diversos missionários contribuíram com seus trabalhos pioneiros, em equipes formadas por pessoas preparadas para pregar o evangelho e também profissionais da área de saúde, que se dedicavam a atender as urgências desse povo que vivia tão isolado. Existia um trabalho de rádio amador na cidade que avisava quando as equipes da MEVA iriam chegar a determinada aldeia e a hora em que seriam feitos os atendimentos clínicos. Através desse ministério, muitas igrejas foram estabelecidas e, por muitos anos, contaram com a ajuda de famílias missionárias que passaram a viver nelas, visando à edificação dos novos convertidos.
Hoje, a atuação da MEVA nessas aldeias é feita por meio de viagens periódicas, uma nova estratégia para que os líderes indígenas assumam por completo os trabalhos nas suas igrejas. Aos missionários cabe o ensino, que é feito de acordo com as necessidades de cada igreja, e também levar a motivação para que eles continuem a caminhada com Cristo.
Foto 1: Equipe médico evangelística na década de 60. À direita João Batista: o pioneiro fundou várias igrejas e discipulou o Seu Celestino.
Foto 2: Hoje o ministério entre essa etnia é feito por meio de viagens. Nem sempre tão simples.
HISTÓRICO DO TRABALHO ENTRE OS INGARICÓS
Quem são os Ingaricós:
O povo Ingaricó habita no norte do estado de Roraima, na divisa do Brasil com Venezuela e Guiana Inglesa. São aproximadamente 1500 indígenas que moram em sete aldeias, às margens do rio Cotingo. Jean e Rozinete Piuna trabalham na aldeia chamada Cumaipá, onde vivem aproximadamente 160 indígenas.
História do apoio da MEVA às comunidades ingaricós:
Desde pequena Rozinete testemunhou o contato de sua família com os ingaricós, que ajudavam nas roças de sua família. Durante anos, no período em que há maior incidência demalária, com o apoio da MEVA e da FUNAI, os ingaricós e macuxis eram tratados numa clínica montada na Fazenda Igarapé Azul de propriedade do seu pai.
Durante a década de 90, missionários da MEVA faziam visitas de seis em seis semanas, com a presença de médicos, enfermeiros e dentistas, e forneciam os medicamentos necessários. Nessas viagens os missionários eram acompanhados por irmãos macuxis que ficavam responsáveis pela pregação. Depois de 2000, a Funasa assumiu a área de saúde.
Antônio e Marinalva Vitorino foram os primeiros missionários da MEVA a trabalhar diretamente com os ingaricós, de 1990 a 1993. Foram responsáveis pela construção de uma escola em Cumaipá, onde foram dadas aulas de alfabetização em ingaricó e português. Eles também iniciaram o estudo e análise da língua ingaricó naquela comunidade. Confeccionaram a primeira cartilha, deram início ao dicionário e desenvolveram uma ortografia provisória.
Em 1994, Davi e Grace Cromptom moraram em Cumaipá no lugar da família Vitorino, mantiveram as aulas na escola por um ano para manter o posto aberto.
No ano seguinte, chegaram ao campo Daniel e Lilian Hoobyar com o desejo de trabalhar entre os ingaricós. Porém, inicialmente eles se envolveram com o trabalho macuxi, na aldeia de Flexal. Com o apoio de outros irmãos, em 1996 começaram a fazer visitas às comunidades ingaricós.
A partir de julho de 2004, Jean e Rozinete chegaram para formar uma equipe.
No início, os dois casais faziam viagens curtas para a aldeia de Manalai, e depois para Cumaipá. Depois de 2007, a convite da comunidade, Jean e Rozinete começaram a passar períodos mais longos em Cumaipá, enquanto Daniel e Lillian faziam visitas. Desde 2008 Jean e Rozinete são o único casal trabalhando em Cumaipá, ainda com o alvo de traduzir a Bíblia para a língua deles. Porém as pessoas que passaram anteriormente pelo trabalho deixaram uma base bem sólida. A missionária Miriam Abbott, com sua experiência de ter traduzido o Novo Testamento Macuxi, tem auxiliado diretamente com suas orientações e consultoria.
Alto Mucajaí: perseverança em meio ao silêncio
O trabalho da MEVA com o grupo ianomâmi ninam na região do alto rio Mucajaí começou no final da década de cinquenta. O primeiro contato foi feito por dois missionários e dois uai-uais. O povo sempre foi muito amigável e receptivos com os missionários. No entanto era um povo guerreiro que atacava com freqüência outros grupos, principalmente para roubar mulheres. Alguns homens daquela comunidade casaram-se com mulheres das etnias macu e iecuana.

Jonh Peters e Estevão Anderson pregando o evangelho no início dos anos 60.
Nestes 50 anos, passaram por lá diversos missionários, algumas famílias e outros solteiros ─ evangelistas, linguistas, professores e profissionais de saúde. Houve períodos de aparente interesse pelas coisas de Deus, algumas conversões e batismos, mas sempre muito inconstantes. As mudanças de missionários naquele posto se deveram a vários fatores. Uns saíram por motivos de ordem pessoal, mudança de ministério, problemas de saúde, outros se aposentaram e outros ainda acabaram se desgastando pelas dificuldades encontradas. Nos últimos anos, o desinteresse em aprender a Palavra de Deus, uma certa rejeição por parte dos mais jovens, as constantes bebedeiras e brigas afetaram muito o moral da equipe. Há pouco mais de um ano, a última família que residia no local decidiu sair.

Batismos em 2007: a inconstância marcou o ministério em Mucajaí.
Restaram três missionárias, decididas a dar continuidade ao trabalho. No entanto não é possível manter um posto entre ianomâmis funcionando no meio da selva sem pelo menos uma presença masculina. Existe a pista de pouso e todo o posto, cuja grama precisa ser mantida cortada, a casas que exigem constante manutenção, além da segurança que a presença de um missionário proporciona. Foi até cogitada a possibilidade de encerrar a presença missionária da MEVA naquele local. Com a falta de ‘recursos humanos’ – nenhum missionário disponível para assumir essa lacuna – a Missão ficou diante de um impasse, embora Rosa, Jacqueline e Isabel estivessem decididas a prosseguir. LEIA “A ESPERANÇA DE NOVOS DIAS”
por Márcia Camargo
Márcia é casada com Milton Camargo, pais de Timóteo e Tainah. A famíia viveu por 8 anos no Alto Mucajaí na década de 80
Um pouco de história
Em 2009 a Missão Evangélica da Amazônia completou 50 anos de formação. O ministério com os uai-uais foi um marco para o nascimento e a vida da missão.
Em 1948, uma década antes da missão ser fundada, os irmãos Nilo e Roberto Hawkins fizeram o primeiro contato com os uai-uais na Guiana Inglesa. Após alguns anos de poucos resultados, a conversão de Eucá iniciou uma série de decisões reais por Cristo.
“Muitas pessoas nos Estados Unidos oravam por Eucá e outros uai-uais, antes deles se converterem”, contou Roberto Hawkins em 2008 durante a gravação do documentário de 50 anos da MEVA.

Roberto Hawkins chegou aos uai uai em 1948
Entre o povo, encerrou-se um ciclo de declínio que quase levara os uai-uais à extinção. A mudança de vida e o cuidado dos missionários aumentaram significativamente a expectativa de vida do povo. Atraídos pelas bênçãos, muitos uai-uais do Brasil e do Suriname se mudaram para a Guiana Inglesa, onde a principal aldeia recebeu o nome de Kanaxen, “Deus ama você”, em uai-uai.
Eucá tornou-se pastor e líder do povo, que anos mais tarde mudou-se em massa para o Brasil. São mais de 2,5 mil vivendo na região de divisa entre Roraima, Amazonas e Pará. A maioria absoluta professa a fé em Cristo!
Anos 50 - Os uai-uais foram os maiores parceiros dos missionários nos primeiros contatos com os ianomâmis de Roraima. Eucá e Mawaxá fizeram parte da expedição a Uaicá, que durou quatro meses e resultou no contato com o povo da região de pailimi-U e Auaris. Saiba mais na próxima edição.