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Susto: Missionárias do Henahi testemunham agressão a funcionário do governo


 

Palhoça UraricoeraA aldeia de Uraricoera, a quinze minutos de vôo do posto Mucajaí, com cerca de 55 indígenas, é um dos locais que o Projeto Henahi pretende alcançar. No dia 12 de agosto, às 14h15, as missionárias Jacqueline e Rosa pousaram na pista com o avião de Asas de Socorro. O funcionário local da FUNAI quase embargou a estada das missionárias por não serem da Secretaria de Educação e sim da MEVA, que não trabalha naquela aldeia. Quando já estavam retornando para o avião, ele as alcançou dizendo-lhes que poderiam ficar.

E foi nessa “casinha” da foto ao lado onde elas se hospedaram. Os ninam as receberam muito bem, manifestaram estar muito contentes com a visita delas, felizes pelo plano de fazerem a escola e porque iriam falar sobre a Palavra de Deus. Além disso, cobriram o telhado com uma lona para evitar as goteiras. Segundo elas, havia muitos “visitantes indesejados” na casa: aranhas e escorpiões! Pelo menos não apareceu nenhuma cobra! Mas não parecia um lugar muito seguro, à primeira vista…

A manhã seguinte foi bem produtiva. Fizeram avaliação do grau de escolaridade das crianças, adolescentes e jovens, visto que estavam sem estudar já havia algum tempo. Depois foram fazer visitas em algumas casas, quando perceberam que havia pessoas fazendo bebida fermentada enquanto outras já estavam bebendo. Como isso é comum entre os ianomâmis, não se preocuparam de imediato. Porém, à tarde, quando voltaram ao local da escola, ninguém apareceu.

Já de volta à “casinha”, receberam a visita de um casal de funcionários da Funasa. Enquanto conversavam, viram o funcionário da FUNAI passar correndo em direção ao mato. Atrás dele, vinham mulheres, homens e jovens, todos bêbados, com paus e varas nas mãos. Um criança avisou que eles estavam querendo bater no rapaz (posteriormente Jacqueline e Rosa souberam que existia um grande descontentamento por parte dos indígenas com ele). Mesmo de dentro da casa, ouviram o barulho, já conhecido delas, de gente apanhando. Jac tentou acalmá-los dizendo: “Inaha kuop!” (Deixem pra lá! Parem!). Mas um ninam, ainda segurando um pau, lhe disse: “Não é com você, não se meta!”, ao mesmo tempo explicou que eles não tinham raiva delas, que a raiva deles não era contra as duas. Outros ninam, mesmo bêbados, disseram o mesmo. Conhecer a cultura e falar a língua dos indígenas fez uma grande diferença e lhes trouxe alívio naquele momento.

De repente, o homem saiu da mata, ainda apanhando e com cortes na cabeça. Pouco depois ele desmaiou. O casal da Funasa avisou Boa vista pelo rádio, pedindo que enviassem um avião para buscá-los, e em seguida correram para a “casinha” das missionárias. Naquela confusão era o lugar mais seguro!

O homem ferido foi recolhido para dentro de sua casa, mas os ninam, ainda bêbados, impediram que ele recebesse tratamento. Dois aviões foram eviados naquela mesma tarde, mas devido à chuva que caía, somente um conseguiu pousar. Os indígenas que estavam sóbrios ajudaram a colocar o ferido no avião apesar da resistência dos ainda embriagados, que ameaçavam armados com arcos e flechas.

Enquanto tudo acontecia, Jac e Rosa permaneceram em oração, pedindo proteção para o homem ferido, para o casal da Funasa e por elas mesmas. Diante dessa situação, resolveram que seria mais prudente pedirem pelo rádio de Asas de Socorro um avião para retirá-las no dia seguinte.

À noite, antes de voltarem para a segurança de sua “casinha”, as duas missionárias foram orar com o casal da Funasa que ainda estava muito apreensivo, visto que o segundo avião não conseguira pousar para levá-los, e alguns ninam ainda andavam por lá meio bêbados.

No dia seguinte, Milton, presidente da MEVA, chegou cedo no avião de Asas de Socorro para conversar com o povo e explicar a saída de Jacqueline e Rosa. Elas saíram antes da data prevista, mas diante desse episódio decidiram orar, avaliar e pensar sobre esses acontecimentos antes de um futuro retorno.

Segundo testemunho das próprias missionárias, a lição importante que ficou foi: “Mesmo em momentos extremos como este, sentimos a presença do Senhor nos dando segurança e vimos como Ele, através de nós, estendeu essa segurança para as pessoas ao nosso redor (o casal da Funasa). Como diz Provérbios 3:26: O Senhor é a nossa segurança”.

Deus usou uma casa velha, cheia de goteiras e insetos para abrigá-las em segurança! Porque, na verdade, “Deus é o nosso refúgio e fortaleza”. O que aos olhos humanos parece inseguro pode ser o lugar mais seguro de Deus para seus filhos.

01/09/2009 at 16:53 5 comentários

Henahi leva educação e evangelho para cinco comunidades ninam

Casa Ericó

A "Casa Temporária" da equipe em Ericó

A equipe do Projeto Henahi da MEVA realizou uma visita à aldeia do Ericó, no Norte de Roraima, onde vive parte do povo ianomâmi Ninam Xiriana. A etapa, realizada no mês de julho, foi a primeira de uma iniciativa que amplia o ministério entre este povo de 325 pessoas para cerca de 1000. O Henahi – palavra da língua ninam para casa temporária – é formado por três missionárias que residem no posto avançado da MEVA no Alto Mucajaí, região Oeste do Estado, a 1h de vôo de Boa Vista. Agora as ações na área de educação e evangelismo itinerantes chegam às regiões de Uraricoera, Uxi-ú, Ericó e Baixo Mucajaí.

O Projeto Henahi tem como objetivo realizar viagens periódicas às diversas aldeias deste grupo. As viagens têm duração média de uma semana, período em que as missionárias realizam orientação pedagógica com os professores , alfabetização das crianças, leitura de textos bíblicos e distribuição de gravações de trechos da Bíblia em ninam. O projeto nasceu da necessidade de criar novas estratégias para o trabalho no Posto Mucajaí,  sendo expandido para outras aldeias que falam a mesma língua. Anteriormente 324 ninam eram alcançados, com as visitas aproximadamente 1000 indígenas serão atendidos.

Henahi em Ericó
Por Maria Rosa Monte

Na chegada não havia ninguém esperando por nós. Como havia uma maloca sem paredes próxima a uma das casas, as coisas do Projeto foram colocadas ali. Nessa tarde, quando o Chefe Luisi chegou (ele é o contato do projeto na aldeia), nos deu as boas vindas, disse que poderíamos armar as redes ali mesmo e avisou que haveria uma reunião no dia seguinte. Jacqueline e eu, então, dividimos a casa com os cachorros durante esse período. Ainda bem que eles não se incomodaram com a nossa  presença.

Rosa, Jac e Acindo

Professor Acindo, Jacqueline e Maria Rosa

No dia 15 pela manhã, na reunião com o povo, foi explicado o propósito do Projeto Henahi: a ajuda na escola e o ensino da Palavra de Deus. Tudo isso foi bem aceito pela comunidade e eles permitiram a realização do Projeto. Logo em seguida à reunião, iniciamos o trabalho de orientação aos professores Acindo e Mara. Nesse período descobrimos que é possível trabalhar em Ericó usando as cartilhas de Mucajaí, modificando algumas letras do Alfabeto.

Exemplo: Mucajaí               Ericó                    Significado
lole                      rore                       sentado
ulu                       uru                         menino

Foi um trabalho bem produtivo e interessante. Deixamos algumas diretrizes para que os professores trabalhem com os alunos até o nosso retorno.
Quanto ao evangelismo, à medida que falávamos sobre Jesus, percebíamos que o grupo tem apenas uma noção de Deus mas  não conhece nada sobre o Salvador. Vimos a necessidade de contar as histórias bíblicas de maneira cronológica (começando com a criação e a desobediência de Adão até Cristo). Numa noite, quando alguns da maloca estavam reunidos fizemos um breve resumo oral desde a criação até Jesus. Ficou evidente para nós que é preciso falar bastante sobre esse assunto para que cheguem à compreensão do amor de Jesus por eles.

Paralelamente ao Projeto, na quarta e quinta-feira as mulheres prepararam o Anahi-uk (fazem o beiju queimado, depois o desmancham em água quente, cuspindo dentro, para fermentear, e misturando tudo – fica parecendo chocolate), pois no fim de semana eles colocariam palha numa casa e a bebida era o pagamento. No sábado 18, por causa da festa, Jac e eu nos mudamos para a casa da FUNASA, para não corrermos riscos. Lá aguardamos o avião que nos levaria de volta a Mucajaí. Mas isso já é uma outra história.

O Projeto Henahi é formado pelas missionárias: Maria Rosa, Jacqueline e Isabel – que está em período de divulgação de ministério.

04/08/2009 at 11:00 1 comentário

A esperança por novos dias

No início deste ano, Josimar e Maria Elena Coelho, pais da missionária Nara Taets, que estavam trabalhando na área de compras e apoio logístico na cidade há pouco mais de um ano, se prontificaram a suprir essa necessidade, possibilitando à missão manter o trabalho na região!

O trabalho na área de saúde agora está aos cuidados da Fundação Nacional de Saúde. Sendo assim, Rosa, Jacqueline e Isabel têm-se concentrado no ministério de tradução e ensino bíblico (sempre que há oportunidade), e na escola. Dos grupos familiares maiores que moravam perto do posto, apenas um, já subdividido, permaneceu nas proximidades. Outros dois se mudaram para mais longe, ficando impossível atingi-los com a Palavra de Deus e dar apoio aos professores da escola e ao ensino. Surgiu, então, a idéia do Projeto Henahi. Mas isto não seria possível apenas com a equipe de 3 missionárias.

Enquanto testemunhamos a tão esperada colheita e o nascimento de uma igreja nos postos Auaris e Parimi-ú, e um franco desenvolvimento do trabalho em Harikato-u, os missionários do posto Mucajaí querem perseverar na semeadura, esperando um dia vivenciar essa maravilhosa experiência entre os ninam.

LEIA também: “Alto Mucajaí: perseverança em meio ao silêncio”

03/08/2009 at 12:00 1 comentário

Alto Mucajaí: perseverança em meio ao silêncio

O trabalho da MEVA com o grupo ianomâmi ninam na região do alto rio Mucajaí começou no final da década de cinquenta. O primeiro contato foi feito por dois missionários e dois uai-uais. O povo sempre foi muito amigável e receptivos com os missionários. No entanto era um povo guerreiro que atacava com freqüência outros grupos, principalmente para roubar mulheres. Alguns homens daquela comunidade casaram-se com mulheres das etnias macu e iecuana.

Jonh Peter e Estevão Anderson pregando o evangelho no início dos anos 60

Jonh Peters e Estevão Anderson pregando o evangelho no início dos anos 60.

Nestes 50 anos, passaram por lá diversos missionários, algumas famílias e outros solteiros ─ evangelistas, linguistas, professores e profissionais de saúde. Houve períodos de aparente interesse pelas coisas de Deus, algumas conversões e batismos, mas sempre muito inconstantes. As mudanças de missionários naquele posto se deveram a vários fatores. Uns saíram por motivos de ordem pessoal, mudança de ministério, problemas de saúde, outros se aposentaram e outros ainda acabaram se desgastando pelas dificuldades encontradas. Nos últimos anos, o desinteresse em aprender a Palavra de Deus, uma certa rejeição por parte dos mais jovens, as constantes bebedeiras e brigas afetaram muito o moral da equipe. Há pouco mais de um ano, a última família que residia no local decidiu sair.

Batismos em 2007: a inconstância marcou o ministério em Mucajaí.

Batismos em 2007: a inconstância marcou o ministério em Mucajaí.

Restaram três missionárias, decididas a dar continuidade ao trabalho. No entanto não é possível manter um posto entre ianomâmis funcionando no meio da selva sem pelo menos uma presença masculina. Existe a pista de pouso e todo o posto, cuja grama precisa ser mantida cortada, a casas que exigem constante manutenção, além da segurança que a presença de um missionário proporciona. Foi até cogitada a possibilidade de encerrar a presença missionária da MEVA naquele local. Com a falta de ‘recursos humanos’ – nenhum missionário disponível para assumir essa lacuna – a Missão ficou diante de um impasse, embora Rosa, Jacqueline e Isabel estivessem decididas a prosseguir. LEIA “A ESPERANÇA DE NOVOS DIAS”

por Márcia Camargo

Márcia é casada com Milton Camargo, pais de Timóteo e Tainah. A famíia viveu por 8 anos no Alto Mucajaí na década de 80

03/08/2009 at 11:45 4 comentários


"DEUS TINHA UM ÚNICO FILHO E FEZ DELE UM MISSIONÁRIO." David Livingstone
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